quinta-feira, 31 de março de 2011

Nova imagem da gravidade na Terra

Os dados enviados por satélite à ESA (agência espacial europeia), durante dois anos, possibilitaram o estudo preciso da gravidade do planeta Terra de uma forma inédita.
geoide
© ESA (geoide)
O geoide gerado é a forma mais aproximada do nosso planeta, visto que ele não é totalmente redondo.
No estudo apresentado pela ESA se considerou a gravidade do geoide sem a ação de marés e de correntes oceânicas.
O modelo serve como referência para medir a movimentação dos oceanos, a mudança do nível do mar e a dinâmica do gelo, possibilitando compreender com maior profundidade as mudanças climáticas.
Além desses dados oceanográficos, também servirá para o estudo da estrutura interna do planeta, como os processos que levam à formação de terremotos de grande magnitude e que podem provocar danos devastadores, como aconteceu no recente sismo no Japão.
Do espaço, é praticamente impossível para os satélites observarem a dinâmica dos tremores, visto que o movimento das placas tectônicas ocorre abaixo do nível dos oceanos.
Contudo, os tremores costumam deixar um "rastro" na gravidade do planeta, o que pode ajudar a entender o mecanismo de um terremoto e, quem sabe, antecipar sua ocorrência.
Veja uma animação produzida pela ESA:
video
Leia outras informações aqui.
Fonte: ESA

quarta-feira, 30 de março de 2011

O brilho avermelhado da formação estelar

O NGC 371 é um enxame aberto rodeado por uma nebulosa, que contém hidrogênio ionizado, pertencente as regiões HII, onde são locais de criação com taxas elevadas de formação estelar recente.
enxame aberto NGC 371
© ESO (enxame aberto NGC 371)
Todas as estrelas de um enxame aberto têm origem numa mesma região HII difusa, e ao longo do tempo a maior parte do hidrogênio é usado na formação estelar, originando uma concha de hidrogênio, tal como a que observamos na imagem, e um enxame de estrelas quentes jovens.
A galáxia hospedeira do NGC 371, a Pequena Nuvem de Magalhães, é uma galáxia anã situada a uns meros 200 mil anos-luz de distância, o que a torna numa das galáxias mais próximas da Via Láctea. Adicionalmente, a Pequena Nuvem de Magalhães contém estrelas em todas as fases de evolução: desde estrelas jovens muito luminosas encontradas no NGC 371 até em restos de supernovas provenientes de estrelas mortas. Estas jovens estrelas energéticas emitem enormes quantidades de radiação ultravioleta, o que faz com que o gás circundante, como por exemplo os restos de hidrogênio da sua nebulosa criadora, brilhe intensamente de forma colorida, brilho esse que se estende ao longo de centenas de anos-luz em todas as direções. O fenômeno apresenta-se de forma maravilhosa nesta imagem, obtida com o instrumento FORS1 montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO.
Os enxames abertos não são de modo algum raros: existem numerosos exemplos na nossa Via Láctea. No entanto, o NGC 371 tem particular interesse devido à inesperada grande quantidade de estrelas variáveis que contém. Estas estrelas apresentam uma variação periódica do seu brilho. Um tipo particularmente interessante de estrela variável, conhecido como estrelas B pulsantes de longo período, pode também ser utilizado no estudo do interior estelar através de asterosismologia. A asterosismologia consiste no estudo da estrutura interna de estrelas pulsantes através da observação das diferentes frequências às quais elas oscilam. É uma técnica similar à utilizada no estudo da estrutura da Terra por meio da observação de terremotos e de como as suas oscilações se propagam através do interior do planeta. Confirmou-se que várias destas estrelas existem neste enxame. As estrelas variáveis desempenham um papel fundamental na astronomia: alguns tipos são indispensáveis na determinação das distâncias de galáxias distantes e na determinação da idade do Universo.
Fonte: ESO

terça-feira, 29 de março de 2011

Primeira imagem da sonda Messenger na órbita de Mercúrio

A NASA divulgou a primeira imagem feita pela sonda Messenger após entrar na órbita de Mercúrio, o menor planeta do Sistema Solar e também o mais próximo do Sol.
imagem obtida de Mercúrio pela sonda Messenger
© NASA (1ª imagem obtida de Mercúrio pela sonda Messenger)
A fotografia mostra uma paisagem cinzenta, coberta por crateras. Segundo a NASA, outras 363 imagens foram feitas pela sonda Messenger durante seis horas de observação em torno do planeta. Os coordenadores da missão disseram que a nave fez uma pausa em seu trabalho de reconhecimento fotográfico apenas o tempo suficiente para transmitir as novas imagens à Terra.
Enviada ao espaço em 2004, a sonda Messenger entrou na órbita de Mercúrio no dia 17 de março de 2011 e deve permanecer na missão por pelo menos um ano. A fase principal terá início no dia 4 de abril, quando a sonda vai começar o mapeamento de toda a superfície de Mercúrio, um processo que deve resultar em cerca de 75 mil imagens.
Os cientistas acreditam que, ao conhecer Mercúrio mais detalhadamente, será possível compreender melhor como a Terra e os outros planetas do Sistema Solar se formaram.
Fonte: NASA

domingo, 27 de março de 2011

Novas anãs brancas magnéticas

O último estágio evolutivo da vida de aproximadamente 98% das estrelas da Via Láctea é como uma anã branca, um corpo celeste degenerado, de brilho tênue e porte encolhido, ainda que extremamente denso.
anã branca
© Observatório Gemini (anã branca)
Depois de perderem as camadas de sua atmosfera e consumirem todo o hidrogênio e o hélio em seu núcleo, essas estrelas velhas e decadentes comprimem sua massa em uma área 1 milhão de vezes menor do que a sua dimensão original. O Sol, por exemplo, deve virar um objeto moribundo com essas características daqui a 6 bilhões de anos. Ao menos 15 mil anãs brancas já foram descobertas em nossa galáxia. Não chega a ser uma grande novidade identificar no céu uma nova estrela na fase final de sua existência. Mas o astrofísico Kepler de Souza Oliveira Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), conseguiu uma pequena proeza ao encontrar, num curto espaço de tempo, quase mil estrelas agonizantes de um tipo bastante raro, as chamadas anãs brancas magnéticas. “Descobrimos 900 dessas estrelas no ano passado”, diz o pesquisador gaúcho. “Até então conhecíamos 150 anãs brancas magnéticas.” O achado já foi divulgado num congresso científico, mas ainda não ganhou as páginas das revistas especializadas.
Como regra geral, as anãs brancas não exibem campo magnético. Por estarem próximas do fim, perderam quase todos os predicados da juventude, inclusive o magnetismo. No entanto, um pequeno número delas mantém, misteriosamente, essa característica. E não se trata de algo residual. A força do magnetismo numa anã branca desse tipo pode ser milhões ou até bilhões de vezes maior do que a do Sol.
linhas do campo magnético do Sol
© SDO (linhas do campo magnético do Sol)
O campo magnético médio do Sol é da ordem de 1 Gauss, o dobro do da Terra, com picos de alguns milhares de Gauss nas áreas em que se formam manchas. Apenas as estrelas de nêutrons apresentam campo de maior magnitude do que essa variante de anã branca. “A gênese do campo é um mistério desde a descoberta da primeira anã branca magnética nos anos 1970”, diz o astrofísico Dayal Wickramasinghe, da Universidade Nacional da Austrália, um dos maiores especialistas nesse tipo de objeto celeste. “Ele pode ser um resquício fóssil das fases anteriores da estrela, pode ter sido gerado durante o processo de evolução estelar ou estar sendo produzido atualmente por um dínamo ativo.” Em astrofísica, a teoria do dínamo tenta explicar como a Terra e as estrelas são capazes de gerar e manter atividade magnética por longos períodos.
Kepler descobriu o inusitado grupo de estrelas ao deparar com um problema, que o desviou do objetivo original de seu estudo mas o conduziu às 900 anãs brancas magnéticas. Quando começou a estudar dados do levantamento internacional Sloan Digital Sky Survey (SDSS) referentes a 50 mil estrelas candidatas a serem classificadas como anãs brancas, percebeu algo de estranho. Feita automaticamente por um software muito empregado pelos astrofísicos, a análise das chamadas linhas do espectro de emissão dessas estrelas – ou seja, de gráficos que mostram os fótons liberados pelos elementos químicos presentes nesses objetos – gerou um resultado fora do esperado. O programa apontava erros de informação em 40% da amostra de estrelas do SDSS, um índice extremamente elevado. O pesquisador da UFRGS desconfiou do resultado e resolveu verificar, com o seu próprio olho, a qualidade dos dados. Encontrou um padrão de linhas de emissão completamente anômalo em algumas estrelas, um desvio que deveria ser causado por um tipo especial de anã branca, as magnéticas. “Se eu não tivesse feito essa checagem manual, o software nunca teria descoberto essas estrelas”, diz Kepler, que contou com a ajuda de uma aluna de iniciação científica da UFRGS, Ingrid Pelisoli, para dar cabo da tarefa.
As anãs brancas magnéticas despertaram o interesse do astrofísico brasileiro porque são estrelas cuja massa é difícil de dimensionar. “Seu campo magnético é tão forte que distorce os átomos e impede a realização desse tipo de medição com precisão”, afirma Kepler. Determinar com precisão a massa de anãs brancas era justamente o objetivo inicial do pesquisador quando teve acesso aos dados do SDSS. Desde 2007  Kepler tenta encontrar anãs brancas que estejam o mais próximo possível do chamado limite de Chandrasekhar, uma ideia proposta nos anos 1930. De acordo com essa lei, cuja formulação deu o Nobel de Física de 1983 ao famoso teórico indiano Subrahmanyan Chandrasekhar (1910-1995), uma anã branca só se mantém estável se sua massa for, no máximo, 40% maior do que a do Sol. Se tiver mais do que 1,4 massa solar, ela sofre um colapso gravitacional e se transforma numa estrela de nêutrons ou buraco negro. 
Não faltam questões a serem elucidadas sobre esse tipo especial de anã branca. “Esses objetos nos dão uma oportunidade única de entender a vida das estrelas magnéticas”, diz o astrofísico Baybars Külebi, da Universidade de Heidelberg, Alemanha, que vai colaborar com Kepler nos estudos sobre esses misteriosos objetos celestes. “Isso é importante, visto que o magnetismo não é muito bem explicado pela teoria da evolução estelar.” Apesar dos empecilhos, o pesquisador brasileiro ainda não desistiu de tentar determinar a massa das anãs brancas magnéticas. “Vamos testar outro método que, em vez do espectro de emissão, usa a cor da estrela para medir esse parâmetro”, afirma Kepler.
Fonte: FAPESP (Pesquisa)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Matéria escapa de buraco negro

O observatório de raios gama Integral da ESA (agência espacial europeia) detectou matéria extremamente quente apenas um milésimo de segundo antes que ela mergulhasse para sempre dentro de um buraco negro.
ilustração do buraco negro Cygnus X-1
© ESA (ilustração do buraco negro Cygnus X-1)
Mas será que essa matéria está realmente condenada para sempre?
As observações sugerem que o confinamento não ocorre para toda a matéria, e que uma parte dela está elaborando uma grande fuga do buraco negro.
Ninguém gostaria de estar tão perto de um buraco negro. Apenas algumas centenas de quilômetros de sua superfície mortal, o espaço contém um turbilhão de partículas e radiação.
Vastas tempestades de partículas estão entrando no seu próprio domínio, quase à velocidade da luz, elevando a temperatura a milhões de graus.
Normalmente, leva apenas um milésimo de segundo para que as partículas atravessem esse corredor final, mas parece restar um fio de esperança para uma pequena parte delas.
Graças às novas observações do Integral, os astrônomos agora sabem que esta região caótica é dominada por uma malha de campos magnéticos.
Esta é a primeira vez que campos magnéticos foram detectados tão perto de um buraco negro.
Mais importante ainda, o observatório Integral relevou que esses campos magnéticos são altamente estruturados e estão formando um túnel de fuga para algumas das partículas.
Os dados indicam que o campo magnético é forte o suficiente para arrancar algumas partículas da atração gravitacional do buraco negro e afunilá-las rumo ao exterior, criando jatos de matéria que disparam para o espaço.
As partículas nesses jatos assumem trajetórias em espiral conforme ascendem pelo campo magnético rumo à liberdade, e isso está afetando a propriedade de orientação da sua radiação na faixa dos raios gama conhecida como polarização.
Quando uma partícula rápida espirala em um campo magnético, ela produz um tipo de luz, conhecida como radiação síncrotron, que apresenta um padrão característico de polarização.
Foi essa polarização que a equipe do Integral encontrou nos raios gama. "Tivemos que usar quase todas as observações já feitas pelo Integral de Cignus X-1 para fazer essa detecção", disse Philippe Laurent, um dos membros da equipe.
Cignus X-1 é um buraco negro localizado cerca de 6000 anos-luz do Sol que está destruindo uma estrela variável supergigante azul chamada HDE 226868 que orbita a cerca de 0,2 UA (20% da distância da Terra ao Sol), e se alimentando do gás que emana de seus destroços.
As observações do buraco negro repetidas ao longo de sete anos, agora totalizam mais de cinco milhões de segundos, o equivalente a uma única imagem com um tempo de exposição de mais de dois meses.
"Nós ainda não sabemos exatamente como a matéria em queda se transforma em jatos. Há um grande debate entre os teóricos; essas observações irão ajudá-los a decidir," diz Laurent.
Jatos em torno de buracos negros já foram vistos antes por radiotelescópios, mas tais observações não conseguem ver o buraco negro com detalhes suficientes para saber exatamente o quão perto do buraco negro os jatos se originam.
Esta descoberta da emissão polarizada de jatos num buraco negro é um resultado de valor inestimável obtido pelo Integral.
Fonte: ESA

Ondas de rádio emitidas por Saturno

Duas ocorrências relacionadas a ondas de rádio que são emitidas por Saturno e registradas pela sonda Cassini estão intrigando os astrônomos da NASA.
aurora no polo sul de Saturno
© NASA (aurora no polo sul de Saturno)
Eles descobriram que os sinais emitidos pelo hemisfério norte e sul, que a princípio se acreditava serem controlados pela rotação do planeta, são diferentes; conhecidos como radiação quilométrica de Saturno, os sons não são captados pelo ouvido humano, mas foram convertidos pela Cassini.
Quando a nave Voyage visitou o planeta no início de 1980, as emissões indicaram que a duração de um dia seria de 10,66 horas. Mais tarde, a sonda Ulysses e Cassini indicaram que as pulsações variavam de segundos até minutos.
Nessa última sondagem, o período de pulsações no norte do planeta foram equivalentes a 10,6 horas. O sul apresentou um pouco mais, 10,8 horas.
Com essa descoberta, é possível que haja a necessidade de refazer o cálculo de quanto dura um dia em Saturno.
Outra novidade é que os cientistas descobriram que as variações apresentadas pelos sinais também mudam drasticamente ao longo do tempo.
Eles acreditam que as diferenças nos períodos das ondas de rádio não têm a ver com os hemisférios e a rotação, mas aparentemente com a estação do ano, a interferência de ventos que circulam em altitude elevada nos dois hemisférios de Saturno e o impacto do campo magnético que cobre todo o planeta.
auroras em Saturno 
© NASA (auroras em Saturno)
Um outro estudo, com informações fornecidas pelo telescópio espacial Hubble, mostrou que o campo magnético de Saturno variou com as auroras do norte e do sul e as emissões de ondas de rádio.
"A chuva de elétrons na atmosfera, que produz as auroras, também produz as emissões de rádio e afeta o campo magnético de Saturno. Os cientistas acreditam que todas essas variações que vemos estão relacionadas às mudanças do Sol e suas influências sobre o planeta", diz Stanley Cowley, da Universidade de Leicester.
Fonte: Space

quinta-feira, 24 de março de 2011

Via Láctea pode conter 2 bilhões de “Terras”

A Via Láctea pode abrigar até 2 bilhões de planetas de tamanho semelhante ao da Terra. É estimada a existência de mais de 50 bilhões de outras galáxias no Universo.
ilustração de exoplanetas
© Kepler (ilustração de exoplanetas)
Os primeiros dados do telescópio Kepler, divulgados em fevereiro, mas reunidos agora em um novo estudo de pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, na Califórnia, sugerem que entre 1,4% e 2,7% das estrelas parecidas com o Sol possam ter planetas com tamanho entre 0,8 e 2 vezes o da Terra.
A maioria deve estar na chamada zona habitável, ou seja, a distância da estrela que permite a presença de água líquida, considerada condição essencial à vida.
Ainda assim, nas cem estrelas semelhantes ao Sol mais próximas da Terra (a até umas poucas dezenas de anos-luz daqui), deve haver apenas duas com planetas do tamanho do nosso.
Mas, segundo os autores do trabalho, a quantidade de "gêmeas" nas redondezas pode aumentar, pois outro tipo de estrela, as gigantes vermelhas, também pode abrigar planetas desse tipo.
Nesses astros, que são mais antigos e já esgotaram o suprimento de gás hidrogênio, a detecção é mais complexa. Os cientistas pretendem localizar os planetas pela força gravitacional que eles exercem, e não por alterações no brilho da estrela, como no telescópio Kepler.
Como estrelas desse tipo são bem mais comuns do que as do tipo do Sol, é muito provável que possam existir ainda mais "Terras" por aí.
Fonte: Astrophysical Journal

quarta-feira, 23 de março de 2011

Um par de anãs marrons muito frias

As anãs marrons são essencialmente estrelas frustradas:  não possuem massa em quantidade suficiente para que a gravidade dê origem às reações nucleares que fazem as estrelas brilharem.
ilustração do sistema binário de anãs marrons
© ESO/L. Calçada (ilustração do sistema binário de anãs marrons)
A anã marron recentemente descoberta, identificada como CFBDSIR 1458+10B, é o membro mais tênue de um sistema binário de anãs marrons situado a apenas 75 anos-luz da Terra. O sistema binário é denominado CFBDSIR 1458+10. As duas componentes são conhecidas como CFBDSIR 1458+10A e CFBDSIR 1458+10B, sendo esta última a mais tênue e fria das duas. Parecem orbitar uma em torno da outra com uma separação de cerca de três vezes a distância entre a Terra e o Sol e um período de cerca de trinta anos.
O poderoso espectrógrafo X-shooter montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO foi utilizado para mostrar que o objeto composto era muito frio quando comparado com anãs marrons típicas.
O CFBDSIR 1458+10 é o binário de anãs castanhas mais frio encontrado até hoje. Descobriu-se agora que a mais tênue das duas anãs marrons tem uma temperatura de cerca de 100º Celsius - o ponto de ebulição da água. A tais temperaturas é possível que a anã marron tenha propriedades que são diferentes das anãs marrons conhecidas e mais próximas das de exoplanetas gigantes - poderia inclusive possuir nuvens de água na sua atmosfera.
Para desvendar os segredos deste objeto tão invulgar foi necessário combinar observações obtidas por três telescópios diferentes. Descobriu-se inicialmente que CFBDSIR 1458+10 era um binário utilizando o sistema de óptica adaptativa à laser do telescópio Keck II, situado no Havaí. A óptica adaptativa cancela a maior parte da interferência atmosférica da Terra, melhorando a nitidez das imagens de cerca de 10 vezes, permitindo assim resolver a separação muito pequena do binário. Foi utilizado também o telescópio Canada-France-Hawaii, também situado no Havaí, para determinar a distância do sistema duplo de anãs marrons utilizando uma câmara infravermelha. Finalmente, o VLT do ESO foi utilizado para estudar o espectro infravermelho do objeto e medir a sua temperatura.
A busca de objetos frios é um tópico astronômico interessante. O telescópio Espacial Spitzer identificou recentemente dois outros objetos muito tênues como possíveis candidatos às anãs marrons mais frias conhecidas, embora as suas temperaturas não tenham sido medidas com tanta precisão.
Futuras observações do CFBDSIR 1458+10B propiciarão determinar melhor as suas propriedades e mapeamento de sua órbita, que depois de uma década de monitorização, deverá permitir aos astrônomos obter a massa do binário.
Fonte: ESO

domingo, 20 de março de 2011

Chuva de metano em Titã

A sonda Cassini detectou sinais de uma chuva de metano de primavera sobre as dunas próximas ao equador de Titã, lua de Saturno.
chuva de metano em Titã
© NASA (chuva de metano em Titã)
A lua Titã é a maior do planeta Saturno, e possui lagos de metano em latitudes elevadas, mas suas regiões equatoriais são em sua maioria áridas, com grandes extensões de dunas.
Em observações anteriores, os cientistas haviam detectado canais secos, como se fossem marcas de um rio extinto na parte sul, no entanto não acreditavam que se tratavam de evidências de que no passado o planeta tivesse um clima mais úmido na região.
O uso das imagens proporcionadas pela sonda Cassini levou a uma nova teoria. A cientista Elizabeth Turtle do laboratório de física da Universidade Johns Hopkins e seus colegas observaram quedas bruscas da luminosidade da superfície próxima ao equador de Titã após a formação de um acúmulo de nuvens.
nuvens equatoriais em Titã
© NASA (nuvens equatoriais em Titã)
Os autores formularam diversas explicações para essas mudanças luminosas, como uma tempestade violenta ou atividade vulcânica nesta região, mas finalmente chegaram a uma conclusão que acreditaram mais provável: uma grande tempestade de metano.
Fonte: Science

sexta-feira, 18 de março de 2011

Super Lua Cheia

No próximo sábado, dia 19 de março, e se as condições meteorológicas ajudarem, será possível observar uma Lua Cheia especial no céu, uma super Lua Cheia.
Lua cheia
© NASA (Lua cheia)
Este fenômeno é bem mais raro do que a famosa Lua Azul, que acontece uma vez a cada dois anos e meio.
A órbita da Lua em torno da Terra não é uma circunferência perfeita, mas sim uma elipse. Quando a Lua se encontra na ponta da elipse mais próxima da Terra está no perigeu, e quando a Lua se encontra na ponta da elipse mais afastada da Terra dizemos que se encontra no apogeu. A Lua no perigeu fica cerca de 50 mil km mais perto da Terra do que no apogeu. A Lua Cheia do próximo sábado quase coincide com o perigeu da Lua, cuja diferença será de uma hora.  A Lua Cheia vai nascer no leste ao pôr do Sol e deve parecer especialmente grande quando estiver próxima ao horizonte.
Como resultado a Lua poderá parecer no céu cerca de 14% maior e 30% mais brilhante do que as Luas Cheias que acontecem no apogeu. Mas será que vamos notar alguma diferença? É difícil, pois não existem réguas no céu que possamos usar para medir o diâmetro lunar. No entanto, deve valer a pena ver a Lua no céu. A melhor altura para espreitar a Lua será quando ela está próxima do horizonte. Por razões de perspectiva, quando a Lua está perto do horizonte, alinhada com edifícios, árvores ou outros objetos e construções, parece-nos maior. Por isso poderemos aproveitar a Lua do próximo sábado para ainda ampliar mais esta ilusão de ótica lunar.
Ao contrário do que afirmam algumas notícias que circulam pela internet, as Luas Cheias que acontecem perto do perigeu não provocam desastres naturais. A última super Lua Cheia de 8 março de 1993 passou sem nenhum incidente e a quase-super Lua Cheia de 12 de dezembro de 2008 foi também inofensiva. As Luas Cheias que acontecem perto do perigeu são frequentes - há uma a cada 413 dias, ou seja, quase uma por ano. A do dia 19 é apenas uma que estará um pouco mais próxima por alguns quilômetros - a distância entre a Terra e a Lua será de 356.577 quilômetros, enquanto que a média dos perigeus durante 2011 será de 361.561 quilômetros.
A influência do satélite natural poderá ser sentido essencialmente nas marés, no entanto, os efeitos sobre a Terra são menores, e de acordo com estudos mais detalhados, a combinação da Lua estar em sua maior aproximação da Terra e na fase cheia, não deve afetar o equilíbrio interno da energia do planeta.
Esta Lua Cheia no perigeu quase coincide com o Equinócio da primavera. O Equinócio será dia 20 de março. O último equinócio de outono, a 22 de setembro de 2010 também coincidiu com uma Lua Cheia. É por tudo isto que a Páscoa este ano ocorre só no final de abril. No ano de 325 DC foi instituído que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia depois do Equinócio Vernal (da primavera). Assim, a primeira Lua Cheia depois do dia 20 de março será a 18 de abril e o primeiro domingo depois do dia 18 de abril é o dia 24 de abril - domingo de Páscoa de 2011.
Fonte: NASA e Cosmo Novas

quinta-feira, 17 de março de 2011

Messenger entra na órbita de Mercúrio

A sonda Messenger entrou na órbita do planeta Mercúrio as 23hs da quinta-feira (horário de Brasília), para circundar o planeta durante um ano terrestre, como parte de um estudo sem precedentes.
Mercúrio
© NASA (Mercúrio)
A Messenger, que começou sua viagem há mais de seis anos, entrou na órbita de Mercúrio, após uma manobra de 14 minutos que lhe permitiu reduzir a velocidade e fixar a trajetória, transformando-a na primeira nave espacial a orbitar o planeta mais próximo ao Sol.
A sonda, lançada em agosto de 2004, viajou sob "uma série de condições extremas" até chegar a Mercúrio, onde realizará uma órbita de 12 horas sobre Mercúrio, a uma altitude mínima de 200 quilômetros. Na órbita de Mercúrio, a Messenger está a 46,14 milhões de quilômetros do Sol e a 155,06 milhões de quilômetros da Terra.
Fonte: NASA

quarta-feira, 16 de março de 2011

O drama do nascimento estelar

A região de formação estelar NGC 6729 faz parte de uma das maternidades estelares mais próximas da Terra e é por isso muito explorada.
© ESO (NGC 6729)
Esta nova imagem obtida com o Very Large Telescope do ESO dá-nos uma visão detalhada de uma parte desta estranha e fascinante região. Os dados foram selecionados a partir do arquivo ESO pelo participante do concurso Tesouros Escondidos Sergey Stepanenko. A imagem de NGC 6729 de Sergey ficou classificada em terceiro lugar neste concurso.
A formação de estrelas no interior de nuvens moleculares e os primeiros estágios do seu desenvolvimento não podem ser observados por meio de telescópios óticos, devido ao obscurecimento por parte da poeira. Nesta imagem temos estrelas muito jovens no canto superior esquerdo que, embora não se possam ver diretamente, dominam a imagem pelos distúrbios que geram na sua vizinhança. Jatos de matéria lançados pelas estrelas jovens viajam a velocidades tão altas com um milhão de km/h chocando violentamente com o gás circundante e criando ondas de choque. Estes choques fazem com que o gás brilhe intensamente e criem brilhantes e coloridos arcos e manchas de forma estranha, conhecidos como objetos Herbig-Haro.
Nesta imagem os objetos Herbig-Haro  formam duas linhas que marcam as direções prováveis do material ejetado. Uma estende-se da região superior esquerda ao centro inferior, terminando no grupo circular brilhante de arcos e manchas que aí se encontra. A outra começa próximo do canto superior esquerdo da imagem estendendo-se em direção ao centro direito. A estranha mancha brilhante em forma de cimitarra (espada de lâmina curva) situada em cima à esquerda deve-se muito provavelmente à radiação estelar que é refletida pela poeira, não sendo por isso um objeto Herbig-Haro.
Fonte: ESO

A estrela fantasma da Via Láctea

A nebulosa planetária Abell 39 está localizada na constelação de Hércules. O seu nome provém do número de entrada (39) do catálogo de grandes nebulosas descobertas por George Ogden Abell em 1966.
Abell 39
 © NASA/ESA (Abell 39)
A Abell 39, está localizada a aproximadamente 7000 anos-luz de distância e é uma remanescente fantasmagórica de uma estrela parecida com o Sol e uma das maiores esferas existentes na Via Láctea. Ela tem cerca de 6 anos-luz de diâmetro e uma vez foi uma estrela parecida com o Sol que teve sua atmosfera externa expelida a milhares de anos atrás. A natureza quase que perfeitamente esférica da Abell 39 - a grossura da envoltura esférica é de 0,33 anos luz - permite aos astrônomos estimar com precisão quanto material relativo está na verdade absorvendo e emitindo luz.
As observações indicam que a Abell 39 contém somente metade do oxigênio encontrado no Sol, uma intrigante, mas não surpreendente confirmação das diferenças químicas entre as estrelas. A estrela central, de magnitude 15,7, está evoluindo para uma anã branca quente. A sua temperatura efetiva é de 150 000 K e tem uma massa aproximada de 0,6 massas solares. A razão pela qual a estrela central está um pouco afastada do centro geométrico por 0,1 anos-luz é atualmente desconhecida. Algumas galáxias localizadas a milhões de anos-luz de distância podem ser vistas através e ao redor da nebulosa espectral.
Fonte: Daily Galaxy

terça-feira, 15 de março de 2011

Expansão do Universo é medida com 3,3% de precisão

Uma teoria alternativa à matéria escura foi descartada depois que astrônomos da NASA recalcularam a taxa de expansão do Universo com precisão sem precedentes usando o Telescópio Hubble da NASA.
galáxia M101
© Robert Gendler (galáxia M101)
As novas medições têm margem de erro de apenas 3,3%, enquanto as anteriores, efetuadas em 2009, eram de até 30%. O valor da taxa de expansão do Universo é de 73,8 km/s por megaparsec (3,26 milhões de anos-luz).
Há tempos os cientistas tentam explicar a expansão do Universo a taxas crescentes. Uma das teorias, a da matéria escura, explica que existe um tipo de matéria que não pode ser detectada, mas que tem efeito oposto ao da gravidade. Acredita-se que ela forme cerca de um quarto do Universo.
A hipótese concorrente, descartada após este último estudo, postulava que uma "bolha" enorme de espaço relativamente vazio de oito bilhões de anos-luz rodeia nossa vizinhança galáctica. Se vivêssemos perto do centro desse vácuo, observações de galáxias sendo empurradas para fora a velocidades crescentes seriam uma ilusão.
Adam Riess, que liderou o estudo, conseguiu descartar essa última hipótese usando as observações do Hubble para uma melhor caracterização do comportamento da matéria escura. Os dados ajudaram a determinar um número muito mais preciso para a taxa de expansão do Universo, o que ajudará os astrônomos a determinar questões como o formato do Universo.
"Estamos usando a nova câmera instalada no Hubble como um radar de trânsito para pegar o Universo ultrapassando a velocidade permitida. Parece que é a matéria escura que está apertando o acelerador", afirmou Riess em nota divulgada pela NASA.
Para a pesquisa, inicialmente a equipe teve que determinar com precisão as distâncias de galáxias próximas e distantes da Terra. Então, foi comparada essas distâncias com a velocidade a que as galáxias estão aparentemente diminuindo devido à expansão do Universo. Eles usaram esses dois valores para calcular a "constante de Hubble", número que relaciona a velocidade a que uma galáxia parece "diminuir" a sua distância da Via-Láctea.
Vale lembrar que os astrônomos não podem medir fisicamente a distância de uma galáxia até a Via-Láctea. Sendo assim, eles usam estrelas ou supernovas como pontos de referência confiáveis. Esses objetos têm um brilho intrínseco - seu brilho real, não diminuído pela distância, pela poeira ou pela atmosfera - e um brilho real, visto da Terra. Sua distância pode então ser medida de maneira confiável pela comparação desses dois brilhos.
Fonte: Astrophysical Journal

A dispersão de uma família de estrelas

A maioria dos ricos aglomerados estelares globulares que orbitam a Via Láctea tem núcleos que são preenchidos de forma apertada com muitas estrelas, mas o NGC 288 é um dos poucos aglomerados considerados de baixa concentração, com as estrelas fracamente unidas.
NGC 288
© ESA/NASA (NGC 288)
Essa imagem foi criada a partir de uma série de imagens feitas pelo Hubble usando o seu Wide Field Channel da Advanced Camera for Surveys, da NASA e ESA, através de diferentes filtros. A luz registrada pelo filtro azul (F435W) é colorida em azul, a luz captada através do filtro laranja (F606W) aparece em verde, a luz registrada através do infravermelho próximo (F814W) aparece vermelha e finalmente a luz proveniente do brilho do hidrogênio (F658W) aparece em laranja. Os tempos de exposição utilizados foram de 740s, 530s, 610s e 1760s respectivamente e o campo de visão é de 3,2 arcos de minutos de diâmetro.
As cores e o brilho das estrelas na imagem contam a história de como as estrelas se desenvolveram no aglomerado. Os muitos pontos mais apagados de luz são estrelas normais de baixa massa que ainda estão fundindo hidrogênio da mesma maneira que o Sol. As estrelas mais brilhantes são separadas em duas classes: as amarelas e as gigantes vermelhas que estão na última fase de suas vidas e são agora maiores, mais frias e mais brilhantes. As estrelas azuis brilhantes são as estrelas mais massivas que têm deixado a fase de gigante vermelha e estão sendo energizadas pela fusão do hélio em seus núcleos.
As estrelas dentro dos aglomerados globulares se formaram aproximadamente na mesma época a partir da mesma nuvem de gás, fazendo delas famílias próximas de estrelas. Contudo, os astrônomos pensam que as irmãs estelares em aglomerados globulares de baixa concentração como o NGC 288 que não são fortemente unidos pela gravidade são aglomerados mais ricos e mais densos podendo eventualmente se dispersarem e seguir caminhos separados.
O NGC 288 é encontrado dentro da obscura constelação do sul do Escultor a uma distância de aproximadamente 30.000 anos-luz. Essa constelação também possui a NGC 253, mais conhecida como Galáxia do Escultor devido a sua localização e esses dois objetos do céu profundo são próximos o suficiente no céu para serem observados no mesmo campo de visão binocular. William Herschel foi o primeiro a registrar a presença do NGC 288 em 1785 e também reconheceu que ele era um aglomerado globular que poderia ter suas estrelas individualmente identificadas em seu telescópio.
Fonte: ESA e NASA

As bolhas de raios gama na Via Láctea

Uma equipe de astrônomos analisou as imagens feitas por um telescópio da NASA em novembro de 2010 e anunciou que gigantes bolhas de raios gama na Via Láctea são formadas pela erupção do buraco negro no centro da nossa galáxia.
bolhas de raios gama na Via Láctea
© NASA (bolhas de raios gama na Via Láctea)
Um modelo criado pelo pesquisador Cheng KS, da Universidade de Hong Kong, e descrito na revista Astrophysical Journal Letters aponta que o buraco negro "devora" as estrelas, liberando grande quantidade de energia. Segundo o modelo de Cheng, apenas 50% da massa das estrelas são "engolidas" pelo buraco, a outra metade é liberada para o espaço em grandes explosões.
Nessas explosões, o plasma quente é lançado para fora com grande quantidade de energia, aumentando a temperatura e provocando a criação das bolhas. Cheng estima que a energia liberada seja até 100 vezes maior do que a criada por uma explosão de supernova (explosão que ocorre no final da vida de estrelas de grande massa).
"Estimamos ter uma mapa teórico da distribuição dos raios gama no buraco negro da galáxia nos próximos seis a nove meses", disse o pesquisador ao anunciar as primeiras descobertas sobre as estruturas misteriosas.
Fonte: Physics World

domingo, 13 de março de 2011

Estrela veloz cria onda de choque

O WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, registrou uma imagem da estrela Alpha Camelopardalis, ou Alpha Cam, se movendo no espaço mais rápido que outras estrelas.
estrela Alpha Camelopardalis
© NASA/WISE (estrela Alpha Camelopardalis)
As cores usadas na imagem representam comprimentos de onda específicos da luz infravermelha. As estrelas são primariamente mostradas em azul e ciano (azul-esverdeado), pois elas estão emitindo luz brilhante em 3,4 e 4,6 mícron. A cor verde representa a luz de 12 mícron emitida pela poeira. A cor vermelha da onda de choque representa a luz emitida em 22 mícron.
A estrela supergigante Alpha Cam é a estrela brilhante localizada no centro da imagem, envolta num lado por uma nuvem de poeira e gás em forma de arco, colorido em vermelho nessa imagem infravermelha da região.
Essas estrelas que se movem rapidamente são chamadas de estrelas fugitivas. A distância e a velocidade da Alpha Cam é algo incerto. Provavelmente a sua distância é algo entre 1600 e 6900 anos-luz e a sua velocidade é assustadoramente alta entre 680 e 4200 km/s. O WISE é um instrumento altamente adaptado para registrar as ondas de choque das estrelas fugitivas. Prévios exemplos podem ser vistos ao redor da Zeta Ophiuchi, AE Aurigae e Menkhib.
Os astrônomos acreditam que as estrelas fugitivas são aceleradas por meio da explosão de supernova de uma estrela companheira ou por meio das interações gravitacionais com outras estrelas em um aglomerado. Pelo fato da Alpha Cam, ser uma estrela supergigante vermelha ela produz um forte vento estelar. A velocidade do vento é acelerada na direção em que a estrela está se movendo no espaço. O vento estelar comprimi o gás e a poeira interestelar gerando calor e brilho em infravermelho. A onda de choque da Alpha Cam não pode ser vista na luz visível mas os detectores infravermelhos do WISE nos mostram um gracioso arco de gás e poeira aquecida ao redor da estrela. O arco vermelho da Alpha Cam é adicionado à coleção de objetos coloridos registrados pelo WISE da constelação de Camelopardalis ou da Girafa. Esse arco parece como um bracelete de esmeraldas gentilmente colocado no pescoço da girafa.
Fonte: NASA

O “olho de Sauron”

Uma imagem divulgada pela NASA mostra a região central da galáxia espiral NGC 4151, que recebeu o apelido de "Olho de Sauron" pelos astrônomos por causa de sua semelhança com o olhar do vilão do filme O Senhor dos Anéis.
galáxia NGC 4151
© Chandra (galáxia NGC 4151)
O que parece ser a pupila, com tom azul, é o centro da galáxia, composto por hidrogênio ionizado. A parte vermelha mostra nuvens formadas por hidrogênio neutro e os pontos amarelos representam as regiões onde ocorreu recente formação estelar.
A galáxia fica a cerca de 43 milhões de anos-luz de distância da Terra e apresenta um buraco negro em grande atividade. Devido a sua proximidade, a NGC 4151 oferece uma das melhores chances para o estudo sobre a interação mantida entre os buracos negros e os gases que o rodeiam.
Fonte: NASA

quarta-feira, 9 de março de 2011

Descoberto enxame de galáxias distantes

Grupos de galáxias distantes foram descobertos por astrofísicos. As galáxias são aparentemente "jovens" apesar de serem "maduras", o que pode obrigar uma revisão das teorias do início do Universo.
© ESO (agrupamento CL J1449+0856)
Os astrofísicos realizaram estas medições a partir do Very Large Telescope (VLT) do Observatório de La Silla, no Chile, e do telescópio Subaru, no Havaí. Os conjuntos de galáxias que se reúnem por meio da gravidade ao longo do tempo em teoria não existiriam durante a primeira formação do Universo.
No entanto, os resultados mostraram que as estruturas localizadas estão do mesmo modo como eram quando o Universo tinha apenas três bilhões de anos, ou seja, menos de um quarto de sua idade atual. Estes conjuntos de galáxias não são compostos por estrelas em formação, como se supunha, mas por estrelas de mais de um bilhão de anos, unidas por uma nuvem de gás quente.
Os enxames de galáxias são as maiores estruturas do Universo que se mantêm coesas devido à força da gravidade. Estes enxames crescem ao longo do tempo e por isso os enxames de maior massa deverão ser raros no Universo primitivo. Embora enxames mais distantes tenham sido observados, todos eles parecem ser objetos jovens em processo de formação e não sistemas já evoluídos.
Este agrupamento, chamado CL J1449+0856 apresentava todos os indícios de se tratar dum enxame de galáxias remoto. As galáxias aparecem vermelhas na imagem porque, por um lado, pensa-se que são compostas essencialmente por estrelas vermelhas frias e por outro, a expansão do Universo desde que a radiação deixou estes sistemas remotos, faz aumentar o comprimento de onda da radiação emitida de tal maneira que, quando chega à Terra, esta radiação é principalmente observada no infravermelho.
Os resultados mostraram que estamos efetivamente a observar um enxame de galáxias tal como era quando o Universo tinha cerca de três bilhões de anos (o desvio para o vermelho encontrado é de 2,07), menos de um quarto da sua idade atual.
Uma vez determinada a distância a este objeto raro, a equipe observou cuidadosamente as  galáxias componentes, utilizando tanto o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA como telescópios no solo, incluindo o VLT. Foram encontradas evidências que sugerem que a maioria das galáxias do enxame não estão formando estrelas, mas são compostas por estrelas que têm já mil milhões de anos de idade, o que faz deste enxame um objeto evoluído, semelhante em massa ao Enxame da Virgem, o enxame de galáxias rico mais próximo da Via Láctea.
Outra evidência que mostra que este é um enxame evoluído, são observações de raios X feitas com o observatório espacial XMM-Newton da ESA. O enxame emite raios X que devem estar  vindo de uma nuvem muito quente de gás tênue que enche o espaço entre as galáxias e está concentrada na direção do centro do enxame. Este é outro sinal de um enxame de galáxias evoluído, que se mantem firmemente coeso pela sua própria gravidade, o que não acontece com enxames muito jovens que ainda não tiveram tempo de aprisionar o gás quente deste modo.
Segundo as teorias atuais, tais enxames devem ser muito raros, e se observações futuras mostrarem que existem outros parecidos, então será necessário rever o nosso conhecimento sobre o Universo primordial.
Fonte: American Association for the Advancement of Sciences

Mapeamento do campo gravitacional da Terra é concluído

O satélite GOCE (Gravity field and steady-state Ocean Circulation Explorer) da ESA chegou ao seu ambicioso objetivo de mapear a gravidade da Terra com uma precisão sem precedentes.
mapa gravitacional terrestre
© ESA/GOCE (mapa gravitacional terrestre)
Esta imagem da versão do mapa gravitacional terrestre foi apresentada em Junho de 2010. Em apenas dois anos, o sofisticado satélite recolheu as medições necessárias para reconstruir o "geóide", o formato de referência do nosso planeta.
O geóide é a forma de um oceano imaginário global ditada pela gravidade na ausência de marés e correntes. É uma referência essencial para medir com precisão a circulação oceânica, as alterações do nível do mar e da dinâmica do gelo, que são afetados pela mudança climática.
sonda espacial GOCE
© ESA (sonda espacial GOCE)
A missão do satélite GOCE foi lançada em março de 2009, incluiu dois períodos de medição de seis meses. Em 2 de março, completou o seu 12º mês de mapeamento do campo de gravidade.
Nas próximas semanas, esses dados serão calibrados e processados para que os cientistas criem um modelo único do geóide.
Embora missão planejada foi concluída, a baixa atividade solar durante os últimos dois anos levou a um menor consumo de combustível do que o previsto, e devido as condições favoráveis do satélite e da excelente qualidade dos seus dados, a ESA decidiu, em Novembro de 2010 em prorrogar a missão até o final de 2012. 
Assim que os modelos de gravidade forem concluídos, eles serão disponibilizados a todos os usuários, gratuitamente, em consonância com a política de divulgação da ESA.
Os dados científicos obtidos com a missão serão apresentados em um evento (Quarta Internacional GOCE User Workshop) a ser realizado na Technische Universität München, em Munique, na Alemanha, de 31 de Março a 1º de Abril.
Fonte: ESA

O V da nebulosa Westbrook

A Nebulosa Westbrook, também conhecida como PK166-06, CRL 618 e 618 AFGL é uma nebulosa protoplanetária e apresenta um formato em “V”.
nebulosa Westbrook
© NASA/ESA (nebulosa Westbrook)
Este pacote altamente irregular de jatos desligados e as nuvens é o resultado de uma explosão de uma estrela moribunda expulsando os gases tóxicos, como monóxido de carbono e cianeto de hidrogênio. Há apenas algumas centenas de nebulosas protoplanetárias conhecidas na Via Láctea. Elas surgem durante sua evolução estelar entre a fase final do ramo assintótico gigante e a fase posterior da nebulosa planetária.
Mas estas nuvens de curta duração de gás são fracas e muito difícil de serem observadas. Elas emitem forte radiação infravermelha, e apresentam baixa temperatura, de modo que elas emitem pequenas quantidades de luz visível.
Esta é uma imagem composta, onde os astrônomos têm utilizado a exposição à luz visível, que mostra a luz refletida a partir da nuvem de gás, combinada com outras exposições na parte infravermelha do espectro, mostrando o brilho ofuscante, invisível aos olhos humanos, que é proveniente de diferentes elementos no fundo da própria nuvem, por isso esta é uma espécie de nebulosa de reflexão.
Fonte: Universe Today

segunda-feira, 7 de março de 2011

A formação de estrelas na nebulosa Sh2-284

O telescópio WISE captou uma imagem mostrando uma nuvem de poeira e gás com formação de estrelas, localizada na constelação de Monoceros.
nebulosa Sh2-284
© NASA (nebulosa Sh2-284)
Esta nebulosa, conhecida por Sh2-284, está relativamente isolada no extremo de um braço espiral exterior da Via Láctea. No céu noturno, situa-se na direção oposta ao centro da Via Láctea.
Nesta nebulosa salienta-se a existência da chamamada "elephant trunks" (trombas de elefante), que são gigantescas colunas de gás e poeira densas, que têm como exemplo os famosos "Pilares da Criação", observados numa imagem da Nebulosa da Águia, do Telescópio Espacial Hubble.
pilares da criação
© Hubble (Pilares da Criação)
Nesta imagem do WISE, os "elephant trunks" aparecem como pequenas colunas de gás estendidas em direção ao centro vazio da Sh2-284, como pequenos dedos verdes com unhas amarelas. A coluna mais notável está no lado direito do vazio, por volta da posição das 3 horas. Parece uma mão fechada com um dedo apontando para o centro do vazio. Esta tromba de elefante tem cerca de sete anos-luz de comprimento.
Pode observar-se uma outra visão desta grande região de formação de estrelas neste endereço, assim como um pormenor mais detalhado do pilar semelhante ao dedo apontando na cavidade central.
Bem no interior de Sh2-284 situa-se um agrupamento de estrelas, Dolidze 25, que emite enormes quantidades de radiação em todas as direções, juntamente com ventos estelares. Estes ventos estelares e a radiação limpam uma cavidade no interior do gás e da poeira em volta, criando o vazio que se vê no centro.
A parede verde brilhante rodeando a cavidade mostra como o gás tem sido destruído. No entanto, algumas seções da nuvem de gás originais eram muito mais densas do que outras, e conseguiram resistir ao poder erosivo da radiação e dos ventos estelares. Estas bolsas de gás denso mantiveram-se e protegeram o gás, não deixando ser destruído pelos ventos estelares, deixando para trás as "trombas de elefante", como estalagmites nas paredes das grutas terrestres.
A nebulosa Sh2-284 está classificada como uma região HII, ligada à formação de estrelas. As estrelas do centro, o aglomerado Dolidze 25, formaram-se recentemente. São estrelas quentes, jovens e brilhantes, com idades variando de 1,5 a 13 milhões anos. Em comparação, o Sol tem cerca de 4,6 biliões de anos.
As cores usadas na imagem representam determinados comprimentos de onda da luz infravermelha. Azul e ciano (azul e verde) representam a luz emitida predominantemente por estrelas. Verde e vermelho representam a luz a emitida principalmente pela poeira.
Fonte: NASA

domingo, 6 de março de 2011

Encontrada evidência de vida extraterrestre

O astrobiólogo da NASA, Richard Hoover, afirmou ter encontrado evidências de vida extraterrestre em um meteorito, segundo estudo publicado na revista científica Journal of Cosmology.
filamento no meteorito Ivuna, da classe CI1
© Journal of Cosmology (filamento no meteorito Ivuna, da classe CI1)
De acordo com Hoover, ele teria encontrado microfósseis similares a cianobactérias existentes em uma classe extremamente rara de meteoriotos, o CI1, encontrado em áreas remotas do planeta, como Antártica, Sibéria e Alasca.
Para Hoover, o estudo pode permitir a implicação de que a vida está em todos os lugares e que a vida na Terra pode ter surgido a partir de corpos vivos em outros planetas. Segundo Rudy Schild, pertencente do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian e editor-chefe do Journal of Cosmology, em comunicado oficial, a análise atenciosa de Hoover fornece provas definitivas de que existe vida microbial em corpos do Universo, sendo que alguns destes podem inclusive proceder a origem da Terra e até mesmo do Sistema Solar. "Estas bactérias fossilizadas não são contaminantes para a Terra. São restos fossilizados de organismos vivos que existiram em corpos celestes similares aos deste meteoro, como cometas, luas e outros", destaca o artigo.
Em declarações ao canal de televisão norte-americano Fox News, Hoover afirmou que este campo de estudo não é amplamente explorado porque muitos grandes cientistas afirmaram que é impossível. A publicação ainda convidou mais de 100 especialistas e 5 mil cientistas para revisarem e opinarem sobre o artigo, devido à "controvertida polêmica que pode gerar este descobrimento", afirmou Schild. O artigo controverso está sendo criticado pela comunidade científica.
Fonte: Journal of Cosmology

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nova família no cinturão de asteroides

Uma nova família no cinturão de asteroides na ressonância secular v6 foi descoberta pelo físico e doutor em astronomia Valério Carruba, professor do Departamento de Matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
asteroide Lutécia
© ESA (asteroide Lutécia)
Os asteroides nessa configuração fazem movimentos ressonantes aos de Saturno. Isso significa que a frequência de precessão g – ou seja, a frequência associada com o período de revolução do pericentro – dos asteroides é igual à frequência de precessão do pericentro do planeta g6. Esse fenômeno é chamado de ressonância secular linear.
“É a primeira vez que registramos no Sistema Solar a ocorrência de uma família de asteroides em suas configurações originais dentro de uma ilha de estabilidade nesse tipo de ressonância. Por ser linear, a v6 é muito eficaz em aumentar a excentricidade dos asteroides, fazendo dela uma das mais desestabilizadoras ressonâncias do Sistema Solar”, disse Carruba.
Ao todo, são 110 corpos celestes na ilha de estabilidade, sendo 90 deles integrantes da família chamada Tina, que se formou há milhões de anos a partir do choque entre asteroides e permanece incólume em meio à agitação celestial da ν6 .
Essa característica singular de Tina evita a saída de seus membros rumo ao Sol ou para fora do cinturão. A união nessa espécie de bolha protetora se deve aos valores limitados da excentricidade – a medida do achatamento da órbita elíptica dos asteroides – atingidos pelos asteroides nessa configuração.
“Para manter o equilíbrio nesse caso, o valor precisa estar entre zero e 0,4. Valores maiores provocam encontros próximos de asteroides com planetas terrestres e podem causar a perda do objeto”, explicou.
Na pesquisa foi obtida uma estimativa da idade da família e descobriram que o choque que deu origem a ela teria ocorrido há 170 milhões de anos.
Segundo o pesquisador, os asteroides no horizonte de v6 são muito instáveis por estarem perdidos em uma escala de tempo relativamente muito curta, de cerca de 2 milhões a 10 milhões de anos.
“Tina faz parte de uma nova classe de asteroides. A comunidade científica, no entanto, já conhecia as ressonâncias de 2:1 e 3:2 de movimento médio com Júpiter. Ambas possuem ilhas de estabilidade e uma população de objetos nessas regiões. Porém, esta é a primeira vez que se encontra uma família de asteroide em uma ilha de estabilidade de uma ressonância secular linear”, disse.
O artigo foi publicado em janeiro no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society por Valério Carruba, da Unesp, e Alessandro Morbidelli, da Universidade de Nice, na França.
Fonte: FAPESP (Pesquisa)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Modelo para prever comportamento do Sol

Uma pesquisa da NASA apresentou a criação do primeiro modelo computadorizado que tenta explicar o recente período de diminuição da atividade solar.
representação da conexão do interior e a superfíce do Sol
© Harvard CfA (conexão do interior e a superfíce do Sol)
Esta representação do interior do Sol mostra a Grande Correia Transportadora que os cientistas acreditam conectar a superfície ao interior do Sol.
O período de diminuição da atividade solar, que ocorre durante um ciclo de 11 anos, se chama solar minimum e é caracterizado por uma menor frequência de manchas e erupções solares. O último minumum foi o mais intenso em cerca de 100 anos.
O mínimo solar tem repercussões sobre a segurança das viagens espaciais, sobre a quantidade de lixo espacial que se acumula ao redor da Terra e sobre o próprio clima da Terra.
Os astrônomos até hoje tiveram dificuldade para explicar o solar minimum. No entanto novas simulações de computador sugerem que o período de pouca atividade do Sol resultou em mudanças no seu fluxo de plasma.
"O Sol tem imensos rios de plasma similares às correntes oceânicas da Terra. Esses rios de plasma afetam a atividade solar de maneiras que nós estamos apenas começando a compreender", disse Andres Munoz-Jaramillo, pesquisador do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica.
"As correntes de plasma nas profundezas do Sol interferiram com a formação das manchas solares e prolongaram o mínimo solar", disse Dibyendu Nandi, do Instituto Indiano de Ciência, Ensino e Pesquisa.
A estrela em torno da qual gira o nosso sistema planetário é feita de um quarto estado da matéria, o plasma, no qual elétrons negativos e íons positivos fluem livremente. Quando o plasma flui, ele cria campos magnéticos que propiciam a formação de erupções e manchas solares.
Os astrônomos sabem há décadas que a atividade solar aumenta e diminui em um ciclo que dura cerca de 11 anos. Em seu momento de maior atividade, chamado de solar maximum, manchas solares escuras aparecem e as erupções passam a ser mais frequentes, mandando toneladas de plasma quente para o espaço. Se o plasma atinge a Terra ele pode afetar sistemas de comunicação, satélites e redes elétricas.
Durante seu período de menor atividade, o solar minimum, o Sol se acalma e tanto as manchas quanto as erupções passam a ser mais raras. Os efeitos na Terra, embora menos dramáticos, também são significativos. Por exemplo, a camada exterior da atmosfera terrestre encolhe e esfria, pois o vento que sopra pelo sistema solar associado ao campo magnético é enfraquecido, permitindo que mais raios cósmicos chegue à Terra.
Como consequência, os detritos espaciais em órbita da Terra tiveram seu ritmo de queda diminuído, devido a um menor arrasto atmosférico.
Por outro lado, os satélites artificiais podem manter mais facilmente suas órbitas sem precisar gastar combustível para isso, permanecendo no espaço por mais tempo e desfrutando de uma vida útil maior.
O solar minimum mais recente teve um número incomum de dias sem manchas solares. Foram 180 dias entre 2008 e 2010. Em um solar minimum típico, o Sol fica sem manchas por cerca de 300 dias, tornando o último minimum o mais longo desde 1913.
ciclos solares ao longo do último século
© Dibyendu Nandi (ciclos solares ao longo do último século)
O gráfico mostra os ciclos solares ao longo do último século. A curva em azul indica a variação cíclica no número de manchas solares. As barras vermelhas indicam o número acumulado de dias sem manchas solares.
O último solar minimum teve duas características principais: um longo período sem manchas solares e um campo magnético polar fraco. Um um campo magnético polar é o campo magnético que fica nos polos norte e sul do Sol.
O solar minimum foi analisado através de simulações de computador para fazer modelos do comportamento do Sol em 210 ciclos durante 2 mil anos. A intenção é entender especificamente o papel dos rios de plasma que circulam do equador do Sol até latitudes maiores.
Foi descoberto que a velocidade dos rios de plasma do Sol aumenta e diminui, havendo um fluxo mais rápido durante a primeira metade do ciclo solar, seguido de um fluxo mais lento, que pode levar ao solar minimum estendido. A causa da mudança de velocidade provavelmente envolve uma relação complicada entre o fluxo de plasma e os campos magnéticos.
O objetivo final do estudo é conseguir prever os períodos de solar minimum e maximum com precisão, o que até hoje não é possível fazer.
Fonte: NASA

quarta-feira, 2 de março de 2011

O disco de poeira da galáxia NGC 247

A galáxia espiral NGC 247 é uma das galáxias espirais do céu austral mais próximas de nós.
galáxia espiral NGC 247
© ESO (galáxia espiral NGC 247)
Nesta nova imagem obtida com o instrumento Wide Field Imager montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros no Chile, podem observar-se nos braços em espiral um grande número de estrelas individuais que compõem a galáxia, assim como muitas nuvens de hidrogênio cor de rosa brilhantes, que marcam regiões de formação estelar ativa.
A galáxia NGC 247 faz parte do Grupo do Escultor, um conjunto de galáxias associadas à galáxia do Escultor (NGC 253). Este é o grupo de galáxias mais próximo do nosso Grupo Local, o qual inclui a Via Láctea. No entanto, é inerentemente difícil ter um valor preciso para tais distâncias celestes.
Para medir a distância da Terra à galáxia mais próxima, os astrônomos têm que se basear num tipo de estrelas variáveis chamadas cefeidas, as quais funcionam como um marcador de distância. As Cefeides são estrelas muito luminosas, cujo brilho varia a intervalos regulares. O tempo que a estrela demora a ficar muito luminosa e a diminuir o seu brilho pode ser utilizado numa relação matemática simples para calcular o seu brilho intrínseco. Quando comparamos esse valor com o brilho medido podemos saber a distância a que a estrela se encontra. No entanto, este método é falível, uma vez que os astrônomos acreditam que esta relação período-luminosidade depende da composição da Cefeide.
Existe ainda outro problema que se prende com o facto de alguma da radiação da cefeida poder ser absorvida pela poeira no seu trajeto até à Terra, fazendo com que pareça menos brilhante do que é na realidade e consequentemente mais afastada. Este é um problema particular no caso da NGC 247 porque como a sua orientação é bastante inclinada, a linha de visão das cefeidas passa através do disco de poeira da galáxia.
No entanto, uma equipe de astrônomos está atualmente estudando os fatores  que influenciam estes marcadores de distâncias celestes num estudo chamado Projeto Araucaria. O Projeto Araucaria é uma colaboração entre astrônomos de instituições no Chile, Estados Unidos e Europa. O Very Large Telescope do ESO proporcionou dados para o projeto. A equipe já afirmou que a NGC 247 se encontra mais próxima da Via Láctea co mais de um milhão de anos-luz do que o anteriormente suposto, o que lhe dá uma distância de um pouco mais de 11 milhões de anos-luz.
Para além da própria galáxia, esta imagem revela ainda inúmeras galáxias que brilham além da NGC 247. Em cima à direita podemos observar três galáxias espirais proeminentes formando uma linha e mais longe ainda, muito por trás delas, vemos imensas galáxias, algumas brilhando por intermédio do disco da NGC 247.
Esta imagem a cores foi criada a partir de um grande número de exposições monocromáticas obtidas através dos filtros azul, amarelo/verde e vermelho ao longo de muitos anos. Adicionalmente foram igualmente incluídas, e coloridas em vermelho, exposições obtidas através de um filtro que isola a emissão do gás de hidrogênio. Os tempos de exposição totais por filtro foram de 20 horas, 19 horas, 25 minutos e 35 minutos, respetivamente.
Fonte: ESO

terça-feira, 1 de março de 2011

Meteoritos poderiam ter trazido nitrogênio para a Terra

Um meteorito encontrado na Antártida fortalece o argumento de que a vida na Terra pode ter sido trazida do espaço.
ilustração da queda de um meteoróide
© NASA (ilustração da queda de um meteoróide)
Análises químicas do meteorito mostraram que o material é rico em hidrocarbonetos e amônia, um componente químico formado por nitrogênio e hidrogênio, encontrado em proteínas e no DNA que forma a base da vida que conhecemos.
Os pesquisadores acreditam que esses elementos podem ter sido trazidos para a Terra através de meteoritos que caíram sobre a Terra no passado, povoando o planeta com os ingredientes que faltavam para a criação da vida. As conclusões se baseiam em uma análise de pouco menos de 4 gramas de pó extraído do meteorito Grave Nunataks 95229, batizado em referência ao local onde foi descoberto na Antártida em 1995.
"O estudo mostra que há asteróides no espaço que, ao se fragmentar em meteoros, podem ter caído sobre a Terra com uma mistura de componentes com propriedades atrativas, incluindo uma grande quantidade de amônia", disse a coordenadora da pesquisa, Sandra Pizzarello, da Universidade do Arizona. Segundo ela, meteoritos podem ter fornecido à Terra uma quantidade suficiente de nitrogênio para fazer emergir a vida em seu estado primitivo.
Estudos realizados com o meteorito Murchison, que atingiu a Austrália em 1969, mostraram que aquela rocha também é rica em componentes orgânicos. Mas Pizzarello diz que o meteorito Murchison é "complexo demais" e contém moléculas de hidrocarbonetos mais propensas a serem encontradas em um período mais tardio da história da vida.
A teoria de que as "sementes" da vida na Terra foram trazidas por cometas ou asteróides resulta, em parte, da tese de que nosso planeta, em seu período formativo, não contivesse o estoque necessário de moléculas simples para ativar os processos que deram início à vida primitiva. Tais processos poderiam ter ocorrido no chamado cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter, longe do calor e da pressão de planetas em formação.
Colisões entre os asteróides dentro deste cinturão teriam produzido os meteoros que viajaram pelo sistema solar e, ocasionalmente, terminaram carregando seu material para a Terra.
A especialista em meteoros Caroline Smith, do Museu de História Natural de Londres, concorda que um importante elemento no novo estudo é a detecção de nitrogênio. Mas ela questiona se a quantidade encontrada no meteorito da Antártida se repete em outras ocasiões. "Um dos problemas em relação à biologia primitiva na Terra tem a ver com a necessidade de nitrogênio em abundância para deslanchar todos esses processos pré-biológicos", ela explica.
O nitrogênio está presente na amônia. Mas há uma série de evidências que apontam que a amônia não existia em abundância no início da Terra. O fator específico que levou ao nascimento da vida na Terra permanece um mistério. Uma das hipóteses aventadas pela professora Pizzarello é que materiais provenientes de meteoritos tenham interagido com ambientes como vulcões e piscinas formadas pelas marés oceânicas.
Estas hipóteses ainda estão no campo da especulação, porém é possível que este elemento tenha surgido do espaço.
Fonte: Proceedings of the National Academy of Sciences

Descoberto proto-aglomerado de galáxias

Uma equipe internacional de pesquisadores liderada por Ichi Tanaka a partir do Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ) descobriu um aglomerado de galáxias, passando por uma explosão de formação de estrelas, que pode conter a chave para entender como as galáxias se formaram no Universo primordial.
área de proto-aglomerado de galáxias 4C 23.56
© Subaru (área do proto-aglomerado de galáxias 4C 23.56)
O aglomerado está localizado próximo à constelação Vulpecula e está a 11 bilhões de anos-luz de distância (redshift z = 2,5), 2,7 bilhões de anos após o nascimento do Universo, quando ele ainda estava em sua infância. Essas galáxias recém-nascidas pode ser um proto-aglomerado, um antepassado dos atuais aglomerados de galáxias, elas ainda parecem estar crescendo para adquirir o tamanho total de uma galáxia. A descoberta é produto de observações feitas em 2007 com o Multi-Object Infrared Camera and Spectrograph (MOIRCS) com o telescópio Subaru e observações posteriores com o telescópio Spitzer. Analisando os dados de emissão infravermelha do telescópio Subaru, com dados de emissão no infravermelho médio do telescópio Spitzer, a equipe de pesquisa foi capaz de identificar objetos brilhantes no infravermelho como membros de um grupo primordial. Essa conquista mostra como o feedback entre os dados arquivados, a tecnologia e a colaboração podem produzir avanços contínuos no nosso conhecimento do Universo.
grupo de galáxias com emissão em H-alfa e Ks
© NAOJ (grupo de galáxias com emissão em H-alfa e Ks)
Embora telescópios atuais possam capturar imagens fracas de galáxias antigas, os cientistas precisam de mais provas para confirmar e identificar a natureza dos objetos nessas imagens. A taxa de formação estelar (SFR - Star Formation Rate) é um dos critérios fundamentais que os astrônomos procuram estabelecer na sua busca por galáxias antigas, porque a SFR tende a ser bastante elevada durante a formação das galáxias.
Análises espectroscópicas das assinaturas de luz de um objeto podem fornecer uma estimativa da SFR. As linhas de emissão H-alfa possuem uma das mais populares assinatura que os astrônomos utilizam para aproximar a SFR; eles medem o hidrogênio ionizado na parte (óptica) visível do espectro.
A descoberta surpreendeu até os pesquisadores. Essas galáxias primordiais apresentam uma taxa de formação de estrelas muito elevada, correspondendo à criação de cerca de várias centenas de sóis por ano. Essa alta taxa de formação de estrelas não ocorre em nenhuma galáxia próxima, nem mesmo na Via Láctea. Além disso, o número de fontes de infravermelho médio, aparentemente, excede o montante que pode ser atribuído aos objetos visíveis na emissão H-alfa. Isto indica que poderia haver mais galáxias envolvidas em poeira com formação estelar, invisíveis como as emissões de H-alfa mas detectáveis no infravermelho médio.
proto-aglomerado de galáxias visto pelo telescópio Spitzer
© Spitzer (proto-aglomerado de galáxias)
Embora os aglomerados de galáxias no Universo formem redes grandes e complexas, há somente uma porção de proto-aglomerados conhecidos por pertencer à era “Rosetta Stone” (Pedra de Roseta).
A equipe de pesquisa pretende ampliar seus esforços para localizar e decodificar mais galáxias desta época, usando o telescópio Subaru e o Atacama Large Millimeter Array (ALMA).
Fonte: National Astronomical Observatory of Japan