quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

A Estrela de Belém

Seria possível que algum evento cósmico real pudesse ter direcionado os três reis magos, como relata a tradição cristã, ao local onde Jesus nasceu?

Estrela de Belém

© Kyriacos Kyriacou (Estrela de Belém)

Os três reis seriam sábios religiosos de um grupo de astrônomos e astrólogos reverenciado na Babilônia antiga. Eles estudavam as estrelas e os planetas e interpretavam o significado por trás de eventos cósmicos. Qualquer coisa muito excêntrica era considerada um presságio, então a estrela deveria ter sido rara e visualmente espetacular.

Que fenômeno estaria relacionado à aparição da estrela de Belém?

Admitindo sua existência, deve ter ocorrido entre os anos 8 e 4 aC na época mais aceitável do nascimento de Jesus.

A primeira explicação astronômica que se procurou dar para a Estrela de Belém foi que teria sido um cometa. Astrônomos do século 16 propuseram o famoso cometa Halley como sendo a Estrela. Essa imagem ainda é muito forte no imaginário popular, onde frequentemente o astro é representado como uma estrela com cauda, como realmente é um cometa. O cometa Halley que passou pela última vez no começo de 1986, ficou brilhando no céu entre agosto e setembro do ano 11 aC, muito cedo para estar associado ao nascimento de Jesus. Além disso, cometas eram vistos como agouros ruins, indicando fome e enchentes, assim como a morte dos reis e monarcas. Os romanos, para marcar a morte do General Agrippa, por exemplo, usaram a aparição do cometa Halley como marco. Logo, a aparição de um cometa não seria um aviso do nascimento de um novo rei. Apesar de serem certamente espetaculares e etéreos em suas aparições, nenhum dos cometas conhecidos, segundo os dados hoje catalogados, passou na Judeia capaz de ser visto a olho nu, entre 7 aC e 1 dC.

Existem certas estrelas que explodem de tal forma que sua luz aumenta centenas de vezes em poucas horas, são denominadas novas ou supernovas dependendo da intensidade da explosão. Entretanto, astrônomos chineses registraram uma estrela nova na constelação de Capricórnio no ano 5 aC. Até o século 15, nenhum registro de novas e supernovas havia sido registrado no Ocidente, acreditava-se na imutabilidade divina do céu.

Observando que a expressão "no Oriente", no Evangelho, segundo São Mateus, pode significar que a estrela teria aparecido durante as primeiras luzes da aurora, também é a parte mais contraditória do seu relato que está relacionada à afirmativa de que a Estrela de Belém precedeu a partida dos Reis Magos, quando eles deixaram Jerusalém para o sul em direção à cidade de Belém. Isto significa que a Estrela teria se deslocado para o sul em vez de seguir o movimento habitual das estrelas de Leste para o Oeste. Por incrível que pareça, a Estrela de Belém estacionou em cima do estábulo, onde se encontrava o menino Jesus! Um fenômeno astronômico inconciliável.

A hipótese astronômica mais aceita é a do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630) que, após dedicar grande parte do seu tempo neste estudo, sugeriu que a Estrela de Belém teria sido a conjunção tríplice (conjunção que se reproduz três vezes durante um mesmo ano) de Júpiter e de Saturno, o que ocorreu no ano 7 aC.

Esses planetas se aproximaram no céu, mas não o bastante para serem confundidos como um único objeto, na constelação de Peixes, nos meses de maio, setembro e dezembro. Aqueles que acreditam ser essa conjunção a Estrela de Belém argumentam que os magos viram a primeira conjunção em maio, e iniciaram a jornada. Durante a segunda conjunção, em setembro, chegaram a Jerusalém e durante a terceira conjunção, em dezembro, chegaram a Belém. Em fevereiro de 6 aC, houve uma grande aproximação (quase uma conjunção planetária) entre Júpiter, Saturno e Marte também na constelação de Peixes.
Em setembro de 3 aC, Júpiter se aproximou de Regulus, a estrela mais brilhante da constelação de Leão. Essa constelação era considerada a constelação dos reis naquela época. Além disso, o “novo leão jubado” estava associado à tribo de Judá. Em outubro, houve uma nova conjunção entre Júpiter e Vênus, na constelação de Leão. No ano 2 aC, em fevereiro e maio, aconteceram outras duas conjunções entre Júpiter e Regulus. Em junho, houve uma conjunção planetária entre Júpiter e Vênus. Nesse mesmo ano, Júpiter realizou um movimento retrógrado, onde inverteu a direção de seu movimento em relação às estrelas de fundo.

Apesar do desenvolvimento da astronomia, a Estrela de Belém é um mistério que a ciência moderna ainda não conseguiu desvendar.

Feliz Natal!

Fonte: Cosmo Novas

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