Astrofísicos da Universidade de Waterloo observaram uma nova galáxia medusa, a mais distante do seu gênero alguma vez captada.
© Webb (galáxia ESO 137-001)
As galáxias medusas têm este nome devido às longas correntes, semelhantes a tentáculos, que seguem atrás delas. Movem-se rapidamente através do seu aglomerado de galáxias quente e denso, e o gás no interior do aglomerado atua como um vento forte que empurra o gás da própria galáxia medusa para trás, formando rastos. O termo técnico para este processo é "despojamento por pressão dinâmica".
Os cientistas de Waterloo encontraram esta galáxia em dados do espaço profundo captados pelo telescópio espacial James Webb. Encontra-se a z = 1,156, o que significa que a estamos vendo como era há 8,5 bilhões de anos, quando o Universo era muito mais jovem. Os dados fornecem uma visão rara sobre a forma como as galáxias se transformaram no Universo primitivo e desafiam as ideias de como o Universo teria sido nesta época.
A equipe fez a descoberta enquanto examinava o campo COSMOS (Cosmic Evolution Survey Deep field), uma zona particular do céu que muitos telescópios têm observado para estudar galáxias distantes. Os astrônomos escolheram esta zona porque está longe do plano da Via Láctea e, por isso, há pouca contaminação de estrelas e poeiras de nossa galáxia. Situa-se numa região do céu visível tanto do hemisfério norte como do hemisfério sul e não tem objetos brilhantes em primeiro plano, fornecendo uma visão desobstruída do Universo distante.
Esta galáxia medusa descoberta tem um disco galáctico de aspecto normal e nós azuis brilhantes nos seus rastros, que são estrelas muito jovens. A idade das estrelas sugere que foram formadas fora da galáxia principal, nos trechos de gás despojado, o que é de esperar numa galáxia desta natureza.
A informação recolhida através do estudo desta galáxia desafiou algumas crenças anteriores sobre o que estava acontecendo no espaço profundo naquele momento. Os cientistas acreditavam que os aglomerados de galáxias ainda estavam se formando e que o despojamento por pressão dinâmica era incomum.
Os pesquisadores fizeram três descobertas adicionais que podem mudar a forma como compreendemos o Universo. A primeira é que os ambientes dos aglomerados já eram suficientemente severos para despojar as galáxias, e a segunda é que os aglomerados de galáxias podem alterar fortemente as propriedades das galáxias mais cedo do que o esperado. Outra é que todos os desafios enumerados podem ter contribuído para criar a grande população de galáxias mortas que vemos atualmente nos aglomerados de galáxias. Estes dados fornecem uma visão rara sobre a forma como as galáxias se transformaram no Universo primitivo.
Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal.
Fonte: University of Waterloo











