sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Detectado o rastro da estrela companheira de Betelgeuse

Astrônomos rastrearam a influência de uma estrela companheira recentemente descoberta, Siwarha, no gás em torno de Betelgeuse.

© STScI (Betelgeuse e estrela companheira em órbita)

As observações efetuadas por cientistas do Centro de Astrofísica da Harvard & Smithsonian, revelam um rastro de gás denso que gira através da vasta e extensa atmosfera de Betelgeuse, esclarecendo por que razão o brilho e a atmosfera da estrela gigante mudaram de forma estranha e incomum. Os resultados do novo estudo foram apresentados numa conferência de imprensa na 247.ª reunião da Sociedade Astronômica Americana em Phoenix.

A equipe detectou o rastro de Siwarha seguindo cuidadosamente as alterações na luz da estrela ao longo de quase oito anos. Estas alterações mostram os efeitos da companheira, anteriormente não confirmada, à medida que atravessa a atmosfera exterior de Betelgeuse. Esta descoberta resolve um dos maiores mistérios sobre a estrela gigante, ajudando os cientistas a explicar como se comporta e evolui, enquanto abre novas portas para a compreensão de outras estrelas massivas que estão chegando ao fim das suas vidas.

Localizada a cerca de 650 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação de Oríon, Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha tão grande que mais de 400 milhões de sóis poderiam caber no seu interior (em termos de volume, não de massa). Devido ao seu enorme tamanho e proximidade, Betelgeuse é uma das poucas estrelas cuja superfície e atmosfera circundante podem ser diretamente observadas, o que a torna um importante e acessível laboratório para estudar a forma como as estrelas gigantes envelhecem, perdem massa e eventualmente explodem como supernovas.

Utilizando o Hubble da NASA e os telescópios terrestres do Observatório Fred Lawrence Whipple e do Observatório Roque de Los Muchachos, a equipe conseguiu observar um padrão de alterações em Betelgeuse, que forneceu evidências claras de uma estrela companheira há muito prevista e do seu impacto na atmosfera exterior da supergigante vermelha. Essas alterações incluem mudanças no espectro da estrela, ou nas cores específicas da luz emitida por diferentes elementos, e na velocidade e direção dos gases na atmosfera exterior devido a um rastro de material mais denso, ou trilha. Este rastro aparece logo após a companheira passar em frente de Betelgeuse de seis em seis anos, ou cerca de 2.100 dias, confirmando os modelos teóricos.

Durante décadas, os astrônomos seguiram as mudanças no brilho e nas características da superfície de Betelgeuse, na esperança de descobrir porque é que a estrela se comporta desta maneira. A curiosidade intensificou-se depois de a estrela gigante parecer ejetar gás e tornar-se inesperadamente tênue em 2020. Dois períodos distintos de variação na estrela foram especialmente intrigantes para os cientistas: um ciclo curto de 400 dias, recentemente atribuído a pulsações dentro da própria estrela, e o longo período secundário de 2.100 dias.

Até agora, os cientistas consideraram tudo, desde grandes células de convecção e nuvens de poeira até à atividade magnética e à possibilidade de uma estrela companheira oculta. Estudos recentes concluíram que o longo período secundário era mais bem explicado pela presença de uma companheira de baixa massa orbitando nas profundezas da atmosfera de Betelgeuse, e outra equipe de cientistas relatou uma possível detecção, mas até agora, os astrônomos não tinham evidências para provar o que pensavam estar acontecendo.

Agora, pela primeira vez, têm evidências concretas de que uma companheira está perturbando a atmosfera desta estrela supergigante. Com Betelgeuse agora eclipsando a sua companheira, do ponto de vista da Terra, os astrônomos estão planejando novas observações para o seu próximo reaparecimento em 2027. Esta descoberta pode também ajudar a explicar mistérios semelhantes em outras estrelas gigantes e supergigantes.

Um artigo foi aceito para publicação no periódico The Astrophysical Journal.

Fonte: Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics