sábado, 21 de fevereiro de 2026

Descoberto um sistema planetário atípico

Os oito planetas conhecidos podem ser classificados em dois tipos diferentes: rochosos e gasosos.

© ESA (ilustração do sistema planetário em torno da estrela LHS 1903)

Na imagem, as distâncias e os tamanhos dos planetas não estão em escala, o quarto planeta, o mais exterior, é muito menor do que os outros três exoplanetas do sistema.

Os planetas interiores que estão mais próximos do Sol, Mercúrio a Marte, são rochosos e os planetas exteriores, Júpiter a Netuno, são gasosos. Este padrão geral, em que os sistemas planetários se formam com planetas rochosos mais próximos da sua estrela, seguidos de planetas gasosos como corpos exteriores, tem sido habitualmente observado em todo o Universo. É o que as nossas atuais teorias de formação planetária preveem e o que as observações confirmaram amplamente ser verdade.

Isto foi assim até os cientistas olharem mais atentamente para o sistema planetário em torno de uma estrela chamada LHS 1903 com o satélite CHaracterising ExOPlanet Satellite (Cheops) da ESA. O que acabaram de descobrir pode modificar a nossa compreensão de como os planetas se formam.

LHS 1903 é uma pequena estrela anã M vermelha, mais fria e menos brilhante do que o nosso Sol. Thomas Wilson, da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e a sua equipe internacional combinaram os esforços de vários telescópios no espaço e na Terra para classificar três planetas que tinham detectado em órbita de LHS 1903. Conseguiram concluir que o planeta mais interior parecia ser rochoso e os dois que se lhe seguiam eram gasosos.

Quando os astrônomos estavam analisando as observações feitas pelo Cheops da ESA que descobriram algo estranho: os dados mostravam um pequeno quarto planeta, mais afastado de LHS 1903. E após uma inspeção mais minuciosa, os cientistas ficaram surpreendidos ao descobrir que este planeta parece ser rochoso!

O sistema apresenta a ordem de planetas rochoso-gasoso-gasoso e depois rochoso novamente. Os planetas rochosos não se formam normalmente tão longe da sua estrela natal. As teorias atuais de formação planetária preveem que os planetas interiores de um sistema sejam pequenos e rochosos, porque perto da estrela a radiação é tão poderosa que varre a maior parte do gás ao redor do núcleo rochoso dos planetas. Mais longe da estrela de um sistema planetário, as condições são suficientemente frias para que uma atmosfera espessa se forme num planeta gasoso.

A pesquisa conduziu a uma explicação intrigante: os planetas podem ter-se formado um a seguir ao outro, em vez de ao mesmo tempo. De acordo com o nosso conhecimento atual, os planetas formam-se a partir de discos de gás e poeira (discos protoplanetários), aglomerando-se em embriões planetários aproximadamente ao mesmo tempo. Estes aglomerados evoluem depois para planetas de diferentes tamanhos e composições ao longo de milhões de anos. 

O pequeno mundo rochoso ou é uma exceção estranha, ou a primeira evidência de uma tendência que ainda não conhecíamos. De qualquer forma, a descoberta pede uma explicação que está para além das nossas teorias mais comuns de formação de planetas.

À medida que os nossos instrumentos melhoram, continuamos a descobrir cada vez mais sistemas planetários "estranhos" na vastidão do espaço. Estes sistemas obrigam-nos a questionar a nossa compreensão e fazem-nos reconsiderar as teorias estabelecidas sobre a formação de planetas. Em última análise, estas descobertas estão ajudando a aprender como o nosso Sistema Solar se encaixa na grande e diversa família de sistemas planetários.

Um artigo foi publicado na revista Science.

Fonte: ESA