sexta-feira, 15 de maio de 2026

Aglomerado de galáxias esconde um passado muito mais violento

O aglomerado de galáxias Abell 2029 é por vezes descrito como "o aglomerado mais tranquilo do Universo". Esta designação não se deve a uma "aura" particularmente serena, mas sim ao fato de o gás superaquecido que permeia o aglomerado parecer extremamente calmo.

© Chandra (aglomerado de galáxias Abell 2029)

Esta nova imagem composta mostra evidências da atividade passada do aglomerado na forma semelhante a um náutilo observada nos dados do Chandra (azul). A luz óptica proveniente de estrelas e galáxias no mesmo campo de visão aparece principalmente branca numa imagem do telescópio Pan-STARRS, localizado no Havaí.

Novas observações do observatório de raios X Chandra mostram claramente que Abell 2029 teve uma história muito mais conturbada do que a sua aparência atual sugere. O estudo mais recente conclui que Abell 2029 ainda está se estabilizando após uma colisão violenta com outro aglomerado menor, há cerca de quatro bilhões de anos.

Os aglomerados de galáxias são as maiores estruturas do Universo mantidas unidas pela gravidade. São compostos por centenas ou até milhares de galáxias, matéria escura invisível e uma enorme quantidade de gás que preenche o espaço entre as galáxias. Este gás é normalmente aquecido a milhões de graus, o que o faz brilhar em raios X.

Uma equipe liderada por astrônomos da Universidade de Boston e do Centro de Astrofísica do Harvard & Smithsonian obteve a observação de raios X mais profunda de sempre deste aglomerado utilizando o Chandra. Os dados do Chandra revelam sinais claros de que este aglomerado não teve uma história monótona.

A equipe pensa que a forma espiral no gás quente foi formada quando o gás no aglomerado se espalhou para os lados devido aos efeitos gravitacionais da colisão. A espiral espalhada em Abell 2029 é uma das mais longas já observadas, estendendo-se por cerca de dois milhões de anos-luz a partir do centro do aglomerado. Existem várias outras evidências da colisão passada, nunca vistas em conjunto num aglomerado, permitindo o rastreamento da história da sua colisão com um detalhe sem precedentes. 

Por fim, existe uma característica em forma de "baía" no gás quente, que os pesquisadores pensam poder ter sido causada por uma sobreposição entre as partes exteriores da espiral e o gás arrancado do aglomerado menor à medida que este passava pelo aglomerado maior. Embora pensa-se que se trata de uma relíquia da colisão, também são possíveis outras explicações para esta estrutura.

Simulações computacionais da colisão sugerem que o aglomerado menor tinha uma massa cerca de dez vezes inferior à do aglomerado maior. A espiral formou-se quando o aglomerado menor fez a sua primeira passagem pelo aglomerado maior, empurrando o seu gás para os lados. A gravidade do aglomerado maior fez então com que o outro aglomerado abrandasse e fosse atraído de volta para uma segunda colisão. Isto gerou uma frente de choque e deixou para trás um rastro de material, formando a região de "respingo". A frente de choque é demasiado fraca para ser vista nesta imagem.

Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal.

Fonte: Harvard–Smithsonian Center for Astrophysics