Os quasares representam uma fase breve na vida de uma galáxia, durante a qual grandes quantidades de matéria espiralam para o buraco negro supermassivo central, liberando enormes quantidades de energia. Nesta fase, o núcleo da galáxia brilha mais intensamente do que qualquer outra coisa no Universo, muitas vezes ofuscando o resto da sua galáxia hospedeira por centenas ou milhares de vezes.
© Euclid / Planck (localização dos 31 quasares)
Esta imagem mostra a localização dos 31 quasares recém-descobertos (pontos amarelos) pelo telescópio Euclid da ESA, bem como a área de cobertura do levantamento da missão em agosto de 2025 (área azul). As localizações dos quasares mais distantes encontrados são indicadas por pontos vermelhos. O quasar mais distante é o que se encontra à direita e denomina-se EUCL J172902.75+641018.1, enquanto o segundo mais distante (o ponto vermelho à esquerda) denomina-se EUCL J125308.55+705432.3. Esta imagem de todo o céu está sobreposta ao mapa da missão Planck da ESA, de 2014, sendo que a faixa horizontal brilhante corresponde ao plano da Via Láctea, onde se encontra a maioria das suas estrelas.
Há décadas que procuramos os primeiros quasares do Universo. Estes objetos revelam o que se passava nos primórdios do cosmos, incluindo a maneira como os primeiros buracos negros supermassivos e as primeiras galáxias se formaram. No entanto, os quasares desta época são difíceis de encontrar. São raros, uma vez que poucas galáxias tinham ainda tido tempo para crescer o suficiente, e a sua luz primordial é fraca e fácil de confundir com a das estrelas mais próximas de nós.
O Euclid, lançado em 2023, está aprofundando a exploração desta parte misteriosa da história cósmica antiga. O telescópio descobriu agora uns incríveis 31 novos quasares no Universo primitivo, recuando até uma época em que o cosmos tinha apenas 5% da sua idade atual. Ao identificá-los e estudá-los, podemos compreender melhor como estes enormes sistemas se formaram e cresceram tão rapidamente, um dos maiores mistérios da astrofísica.
Esta descoberta acrescenta 12 novos quasares com um "desvio para o vermelho" (uma medida de distância e movimento relacionada com a forma como a luz se propaga pelo cosmos em expansão) igual ou superior a 7, correspondendo aos primeiros 770 milhões de anos do Universo. Os dois mais antigos do lote, EUCL J172902.75+641018.1 e EUCL J125308.55+705432.3, apresentam desvios para o vermelho de 7,77 e 7,69, respectivamente, estabelecendo um novo recorde para os quasares mais antigos alguma vez encontrados. Ambos situam-se a pouco mais de 13 bilhões de anos-luz de distância e surgiram durante os primeiros 670 milhões de anos do Universo.
As observações segundo quasar mais antigo revelaram que ele está imerso numa galáxia empoeirada e repleta de gás, que está formando novas estrelas a um ritmo frenético, dando uma ideia de como poderá ser a galáxia hospedeira de um buraco negro supermassivo primitivo. Os quasares remetem para um período fascinante da história cósmica conhecido como a "época da reionização": quando tudo passou de um estado frio e escuro para um estado quente e "ionizado". Esta época de transição foi um período crucial que preparou o terreno para tudo o que vemos hoje.
Os quasares aqui referidos foram descobertos nos dados do Euclid Wide Survey, que, quando estiver concluído, cobrirá mais de um-terço do céu total. O Euclid irá revelar os segredos do Universo escuro; o telescópio está explorando a sua composição, história e evolução, e mapeando a sua estrutura em grande escala, observando bilhões de galáxias e revelando muitos quasares.
Um artigo foi publicado no periódico Astronomy & Astrophysics.
Fonte: ESA
