sábado, 4 de julho de 2026

Descoberto sistema planetário através do efeito de microlente

Pela primeira vez, a missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA identificou um planeta em órbita de uma estrela distante graças a ondulações no espaço-tempo.

© NASA (ilustração do exoplaneta Gaia23bra b próximo de sua estrela)

Ao contrário dos planetas em trânsito que orbitam muito perto da sua estrela, que o TESS revela regularmente, o exoplaneta recém-descoberto pelo efeito de microlente é um super-Júpiter que orbita longe da sua estrela hospedeira.

Com 1,6 vezes a massa de Júpiter e uma distância orbital semelhante, seria extremamente improvável encontrar um planeta deste tipo através do principal método de detecção para o qual o TESS foi concebido. 

Os astrônomos encontraram o primeiro indício do planeta, denominado Gaia23bra b, em 2023, utilizando o telescópio espacial Gaia da ESA, agora aposentado. O sistema de alertas do Gaia assinalou uma estrela que se tornou mais brilhante, algo que pode acontecer quando uma estrela em primeiro plano passa à frente de outra mais distante e amplia a sua luz através do fenômeno de microlente gravitacional.

A análise da equipe, revelou que Gaia23bra b, que orbita uma anã laranja com cerca de 80% da massa do Sol, se encontra a quase 40.000 anos-luz da Terra, excedendo em muito o raio de busca habitual do TESS, de cerca de 150 anos-luz. Dos mais de 6.000 exoplanetas conhecidos, cerca de três-quartos foram descobertos através do método de trânsito, a técnica típica de detecção de planetas utilizada pelo TESS. Sendo que menos de 5% dos exoplanetas conhecidos foram revelados através das microlentes.

Este fenômeno de curvatura da luz ocorre quando duas estrelas se alinham muito próximas uma da outra, do nosso ponto de vista. A luz da estrela mais distante curva-se à medida que atravessa o espaço-tempo distorcido pela massa da estrela mais próxima. Se o alinhamento for especialmente preciso, a estrela mais próxima atua como uma lente cósmica, focando e ampliando a luz da estrela de fundo. Os planetas que orbitam a estrela em primeiro plano também podem alterar a luz da estrela distante, atuando como as suas próprias lentes minúsculas. 

Os astrônomos observam esse efeito como um pico no brilho da estrela. O método de trânsito é o mais eficaz para encontrar planetas grandes que orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras; os planetas grandes bloqueiam mais da luz estelar, enquanto os planetas mais próximos têm mais probabilidades de passar à frente da estrela hospedeira. O efeito de microlente não é adequado para descobrir planetas enormes e próximos, porque os seus sinais gravitacionais acabariam por se confundir.

Os trânsitos fornece o tamanho de um planeta e, em conjunto com outros métodos, podemos determinar a sua massa e densidade. As microlentes fornecem as massas e as distâncias orbitais de planetas que, de outra forma, nunca seriam vistos. Mas as observações de microlentes são oportunidades limitadas no tempo.

O fenômeno de microlente identifica planetas semelhantes aos do Sistema Solar, isto oferece uma nova oportunidade para compreender como sistemas planetários como o nosso variam em diferentes regiões da Galáxia.

Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: NASA