sexta-feira, 17 de julho de 2026

Descoberto o exoplaneta mais tênue observado a partir da Terra

Uma equipe de astrônomos descobriu um terceiro planeta orbitando a estrela Beta Pictoris.

© ESO / VLT (exoplaneta Beta Pictoris d)

O novo planeta, Beta Pictoris d, que se encontra a 63 anos-luz de distância da Terra, é 100 vezes mais tênue do que Beta Pictoris b, o primeiro planeta descoberto neste sistema, e está entre os exoplanetas mais leves alguma vez observados a partir da Terra.

Após a detecção do planeta, o que foi feito com o auxílio do Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), a equipe descobriu que este objeto se encontrava, afinal, escondido em observações de arquivo realizadas há mais de uma década.

Para confirmar a natureza da nova detecção, a equipe consultou o arquivo científico do ESO, um catálogo de observações realizadas com as infraestruturas do ESO, e encontrou o novo planeta, Beta Pictoris d, em várias imagens que remontam a 11 anos atrás, incluindo uma em que o novo planeta agora detectado era apenas visível contra o brilho do seu vizinho maior, Beta Pictoris b.

O planeta recém descoberto, tal como os outros dois existentes neste sistema, é um gigante gasoso semelhante a Júpiter ou Saturno. Contudo, Beta Pictoris d tem uma órbita muito maior que os planetas Beta Pictoris b e Beta Pictoris c. Além disso, enquanto os dois primeiros planetas têm, cada um, cerca de dez vezes a massa de Júpiter, o novo planeta tem apenas 2,4 vezes a massa de Júpiter. Este planeta é também relativamente frio e, por isso, extremamente tênue quando comparado com a sua estrela anfitriã.

A obtenção de imagens diretas, em que a luz de um objeto é captada tal como numa fotografia, só é viável para planetas suficientemente brilhantes que se destacam das suas estrelas hospedeiras, as quais são, obviamente, muito mais brilhantes. Obter uma imagem direta de um planeta tão pouco brilhante como é o caso de Beta Pictoris d representa, portanto, um feito significativo.

Beta Pictoris d esclarece também sobre um mistério do seu sistema planetário, uma vez que tem exatamente a massa e a posição certas para explicar a forma particular do disco de restos circundante, composto pelos resíduos da formação planetária. O modo como Beta Pictoris d foi descoberto incentiva à realização de mais observações diretas de sistemas planetários onde planetas pouco brilhantes possam estar escondidos à vista, através do futuro Extremely Large Telescope (ELT) do ESO.

Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: ESO