quarta-feira, 29 de julho de 2026

Representação da Terra em formato de geoide

A Terra possui um formato irregular, configurando um modelo de um geoide.

© NASA / ESA (representação tridimensional do campo gravitacional da Terra)

A animação é baseada em medidas de gravidade obtidas pelo satélite Gravity Field and Steady-State Ocean Circulation Explorer (GOCE).

O geoide é uma superfície equipotencial do campo da gravidade, ou seja, sobre essa superfície o potencial do campo da gravidade é constante, coincidindo, portanto, com uma superfície de equilíbrio de massas de água. Pode-se visualizar, aproximadamente, essa superfície por meio do prolongamento do nível médio dos mares por dentro dos continentes.

A NASA divulgou uma nova representação tridimensional do campo gravitacional da Terra, construída a partir de mais de 1 bilhão de observações coletadas durante 15 anos por 19 satélites. A imagem retrata o chamado geoide, uma superfície física que representa como seria o nível médio dos oceanos caso não houvesse influência de marés, ventos ou correntes marítimas.

Ao contrário do que muitos imaginaram nas redes sociais, o modelo não mostra o formato real do planeta. Ele representa as variações da gravidade provocadas pela distribuição de massa no interior da Terra, incluindo rochas, magma e água. Para tornar essas diferenças perceptíveis, a escala vertical foi ampliada entre 7 mil e 10 mil vezes. As regiões com maior concentração de massa apresentam uma atração gravitacional mais intensa, formando “elevações” no geoide. Já áreas menos densas aparecem como “depressões” nesse modelo.

No mapa, cadeias montanhosas como os Andes e o Himalaia aparecem em tons avermelhados, indicando maior intensidade gravitacional. Em contraste, áreas como o Oceano Índico e a bacia do Rio Congo são representadas em azul, refletindo menor atração.

A representação foi produzida a partir do modelo global GOCO06, que reúne dados das missões GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e GRACE, desenvolvida pela NASA em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR). A missão GRACE utilizou duas espaçonaves que voavam separadas por cerca de 220 quilômetros para detectar pequenas variações na gravidade da Terra. Essas medições permitiram acompanhar o deslocamento de água nos oceanos, no solo, nas geleiras e na atmosfera.

A superfície do geoide é mais irregular do que o elipsoide de revolução usado habitualmente para aproximar a forma do planeta, mas consideravelmente mais suave do que a própria superfície física terrestre. Enquanto que esta última varia entre os +8.850 m (Monte Everest) e −11.000 m (Fossa das Marianas), o geoide varia apenas cerca de ±100 m além da superfície do elipsoide de referência.

O modelo também identificou diferenças na altura do geoide, que variam de cerca de 85 metros acima da média, na Islândia, até aproximadamente 106 metros abaixo do nível médio, no sul da Índia. Além de aprimorar o entendimento sobre a estrutura interna do planeta, os dados ajudam pesquisadores a monitorar o ciclo hidrológico, estimar reservas de água subterrânea e acompanhar os efeitos das mudanças climáticas sobre o nível do mar.

Fonte: NASA