A pouco mais de quatro anos-luz, Proxima Centauri é a estrela que está mais perto do nosso Sol, conhecida por ser uma anã M muito ativa.
© NRAO (ilustração de uma erupção estelar na estrela Proxima Centauri)
As suas erupções são bem conhecidas dos astrônomos que utilizam comprimentos de onda visíveis da luz. No entanto, um novo estudo utilizando observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) realça a atividade extrema desta estrela em comprimentos de onda rádio e no milimétrico, oferecendo informações excitantes sobre a natureza destas erupções, bem como sobre os potenciais impactos na habitabilidade dos seus planetas terrestres da zona habitável.
Conhecida por abrigar um planeta potencialmente habitável, a estrela exibe uma grande atividade no visível. Tal como as erupções do nosso Sol, estes surtos liberam energia em todo o espectro eletromagnético e partículas energéticas estelares. Dependendo da energia e da frequência destas erupções, os planetas na zona habitável podem tornar-se inabitáveis, uma vez que as erupções retiram às atmosferas planetárias ingredientes necessários, como o ozônio e a água.
Os astrônomos utilizaram dados de arquivo e novas observações do ALMA para estudar a atividade dos surtos nos comprimentos de onda milimétricos de Proxima Centauri. O pequeno tamanho da estrela e o seu forte campo magnético indicam que toda a sua estrutura interna é convectiva (ao contrário do Sol, que tem camadas convectivas e não convectivas), o que torna a estrela muito mais ativa. Os seus campos magnéticos ficam torcidos, desenvolvem tensão e acabam por se romper, enviando fluxos energéticos e partículas para o exterior naquilo que é observado como erupções.
A atividade do nosso Sol não remove a atmosfera da Terra e, em vez disso, provoca belas auroras porque temos uma atmosfera espessa e um forte campo magnético para proteger o nosso planeta. Mas as erupções de Proxima Centauri são muito mais poderosas e sabemos que tem planetas rochosos na zona habitável.
O que é que estas erupções estão fazendo às suas atmosferas? Haverá um fluxo tão grande de radiação e partículas que a atmosfera está sendo quimicamente modificada, ou talvez completamente destruída?
Esta pesquisa representa o primeiro estudo multicomprimento de onda que utiliza observações milimétricas para desvendar um novo olhar sobre a física das erupções. Combinando 50 horas de observações do ALMA, utilizando tanto o conjunto completo de 12 metros como o ACA (Atacama Compact Array) de 7 metros, foi registado um total de 463 eventos eruptivos com energias entre 1.024 e 1.027 erg, e com uma duração breve entre 3 e 16 segundos.
A equipe caracterizou a chamada distribuição de frequência das erupções da estrela para mapear o número de surtos em função da sua energia. Tipicamente, a inclinação desta distribuição tende a seguir uma função de lei de potência: as erupções menores (menos energéticas) ocorrem com mais frequência, enquanto as maiores e mais energéticas ocorrem com menos regularidade.
A Proxima Centauri tem tantas erupções que foram detectadas muitas dentro de cada intervalo de energia. Além disso, foi quantificada a assimetria das erupções mais energéticas da estrela, descrevendo como a fase de decaimento dos surtos era muito mais longa do que a fase inicial da explosão. As observações no rádio e nos comprimentos de onda milimétricos ajudam a determinar as energias associadas a estas explosões e às partículas.
Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal.
Fonte: National Radio Astronomy Observatory