quarta-feira, 29 de julho de 2026

O perfil de temperatura abaixo da superfície de Io

A missão Juno da NASA forneceu as primeiras medições da temperatura abaixo da superfície da lua de Júpiter, Io, revelando um aquecimento significativo, do ponto de vista vulcânico, mais ativo do Sistema Solar.

© NASA / Juno (região polar norte da lua vulcânica Io)

Recolhidos durante dois sobrevoos, os dados mostram também que a maior parte da superfície de Io é notavelmente lisa e composta por material de densidade muito baixa. 

As descobertas abrem novos horizontes observacionais tanto para mundos tórridos como para mundos gelados para além do nosso planeta. O vulcanismo extremo de Io é alimentado pelo aquecimento de maré. A lua é constantemente esticada e comprimida pela imensa gravidade de Júpiter à medida que se desloca na sua órbita ligeiramente elíptica, gerando calor interno muitas vezes superior ao da Terra.

Até agora, praticamente tudo o que se sabia sobre esse calor provinha de observações no infravermelho, que detectam apenas a temperatura da superfície. Estas últimas descobertas derivam de dados recolhidos pelo instrumento MWR (Microwave Radiometer) da sonda espacial.

O MRW da Juno foi concebido para espreitar por baixo das camadas superiores das nuvens de Júpiter, a fim de explorar a dinâmica e a composição da atmosfera profunda do gigante gasoso. As seis antenas de micro-ondas do MWR funcionam como um único instrumento, detectando simultaneamente micro-ondas numa ampla gama de comprimentos de onda, desde cerca de 1,3 a 51 centímetros. Durante a fase prolongada da missão, o instrumento MWR proporcionou a oportunidade de observar três das luas galileanas do planeta: Ganimedes, Europa e Io.

Em Ganimedes e Europa, foram explorados dezenas de quilômetros abaixo da superfície, partindo do princípio de que as suas camadas de gelo eram, na sua maioria, água pura, mas a capacidade de sondar a rocha vulcânica em Io foi uma descoberta inesperada. Os dados sugerem duas explicações possíveis. Em primeiro lugar, o calor poderá estar subindo de forma constante através de uma crosta condutora. Embora este fluxo de calor de fundo, medido entre 1 e 3 watts por metro quadrado, seja relativamente moderado à escala local, em toda a lua representa uma liberação de energia até 30 vezes superior à média da Terra. Em alternativa, o sinal poderá provir de fluxos de lava em arrefecimento, escondidos por cerca de 9 a 11 metros de crosta solidificada, que cobrem cerca de 10% da superfície da lua em qualquer momento.

Outra importante descoberta resultante das duas aproximações é o quão lisa é a lua Io. Antes das recentes descobertas, era conhecida pelas suas montanhas altas, mas o MWR indica que, para além desta topografia visível, a superfície apresenta extensas áreas planas que se estendem por 100 quilômetros ou mais. Como a sonda Juno sobrevoou regiões sobrepostas de Io a diferentes ângulos, a equipe conseguiu mapear a forma como a superfície reflete as micro-ondas, tal como um passageiro de avião pode ver o oceano brilhando com a luz do Sol apenas sob ângulos específicos.

Um artigo foi publicado no periódico Journal of Geophysical Research: Planets.

Fonte: Jet Propulsion Laboratory