sábado, 1 de janeiro de 2022

Encontrada análoga da Via Láctea no Universo jovem

Uma equipe internacional, que inclui pesquisadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC), utilizou dados combinados de diferentes radiotelescópios localizados na Espanha para estudar o modo de formação estelar numa galáxia quando o Universo tinha menos de 30% da sua idade atual.

© ESA/Hubble (Cavalo Marinho Cósmico)

Revelaram que as propriedades do reservatório molecular de gás são semelhantes às do nosso próprio reservatório na Via Láctea, algo nunca visto até agora no Universo distante.

Uma questão importante no estudo das galáxias é o modo de formação estelar, quão eficiente é a conversão do gás frio em estrelas. Até agora, as galáxias no início do Universo pareciam formar estrelas de uma forma diferente da observada na nossa própria Galáxia, o que é intrigante. 

Para lançar luz sobre esta questão, o gás molecular frio, o combustível para a formação das estrelas, é observado com radiotelescópios. Devido às propriedades físicas do gás hidrogênio molecular (H2), não pode ser observado diretamente no rádio, mas pode ser rastreado através da molécula de monóxido de carbono (CO). Primeiro, os pesquisadores selecionaram uma galáxia cujo brilho é potenciado por lentes gravitacionais graças a um aglomerado interveniente de galáxias. Em seguida, procuraram dados de arquivo de missões espaciais infravermelhas em combinação com imagens pelo telescópio espacial Hubble. A galáxia descoberta sofre fortes efeitos de lentes gravitacionais por um fator de aproximadamente 10 e assim a sua morfologia assemelha-se a um cavalo marinho.

A distância desta galáxia foi revelada (notou-se que a luz viajou durante 9,6 bilhões de anos) graças a observações das linhas de monóxido de carbono com o radiotelescópio de 30 metros do IRAM (Instituto de Radioastronomía Milimétrica) localizado na Sierra Nevada. Juntamente com observações do radiotelescópio Yebes de 40 metros localizado em Yebes, 50 km para nordeste de Madrid e operado pelo IGN (Instituto Geográfico Nacional), as propriedades físicas do combustível da formação estelar através das observações de várias linhas moleculares de gás também puderam ser derivadas. É a galáxia mais distante detectada até agora com o radiotelescópio Yebes de 40 metros.

Através da análise do gás molecular frio, os cientistas também descobriram a presença de um mecanismo de formação estelar previamente invisível e de atividade de buracos negros no Universo.

Um artigo foi publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters.

Fonte: Instituto de Astrofísica de Canarias

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